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Santa Teresinha do Menino Jesus é a Padroeira das Missões. E recebeu esse título sem sair do Carmelo! Ela amava a Deus de forma tão profunda e verdadeira que podemos dizer que aconteceu com ela o que acontece nos amores verdadeiros: tornamo-nos parecidos com aquele que amamos. É bonito contemplar um casal que se ama muito e que permaneceu unido ao longo dos anos e a convivência amorosa se encarregou de torná-los parecidos: nos gestos, nas escolhas, no pensamento, no olhar… Santa Teresinha alcançou a graça de se tornar parecida com o Senhor e em especial no seu olhar sobre o mundo e sobre as pessoas. Ela se compadecia de todos e de cada um. Ofertava-se por todos e por cada um. Vamos acompanhar aquela que pode nos ensinar o caminho para sermos verdadeiros missionários:

 

Dos Manuscritos autobiográficos de Santa Teresa do Menino Jesus: Ser vossa esposa, ó Jesus, ser carmelita, ser, pela minha união convosco, a mãe das almas, deveria ser-me suficiente… mas não é… Sem dúvida, esses três privilégios formam minha vocação: carmelita, esposa e mãe. Todavia, sinto em mim outras vocações, a de Guerreiro, a de Sacerdote, a de Apóstolo, a de Doutor, a de Mártir, enfim, sinto a necessidade, o desejo de realizar, para vós, Jesus, as mais heróicas obras… Sinto na minha alma a coragem de um cruzado, de um zuavo pontifício. Queria morrer num campo de batalha pela defesa da Igreja…

 

Sinto em mim a vocação de Sacerdote. Com que amor, ó Jesus, levar-vos-ia em minhas mãos quando, pela minha voz, descesses do Céu… Com que amor eu Vos daria às almas!… Mas ai! Embora desejando ser Sacerdote, admiro e tenho inveja da humildade de são Francisco de Assis e sinto em mim a vocação de imitá-lo, recusando a sublime dignidade do Sacerdócio.

 

Ó Jesus! Meu amor, minha vida… como conciliar esses contrastes? Como realizar os desejos da minha pobre alminha?…

 

Se deixarmos o Senhor tocar em nosso olhar, veremos irmãos. Nosso olhar se tornará como o de Deus

Ah! Apesar da minha pequenez, queria iluminar as almas como os profetas, os doutores. Tenho a vocação de apóstolo… Gostaria de percorrer a terra, propagar vosso nome e fincar vossa Cruz gloriosa no solo infiel. Ó meu amor, uma missão só não seria suficiente. Gostaria também de pregar o Evangelho nas cinco partes do mundo, até nas mais longínquas ilhas… Queria ser missionário, não só durante alguns anos, mas desde a criação do mundo e até o final dos séculos… Mas, sobretudo, meu Bem-Amado Salvador, quero derramar meu sangue para Vós até a última gota…

 

Para sermos missionários precisamos converter nosso olhar sobre o mundo e as pessoas. Olhar como Deus olha. Se olharmos com o olhar purificado para a humanidade, sentiremos um impulso novo em direção aos nossos irmãos que sofrem. Quando Deus olha para uma pessoa, vê um filho; seja ele quem for, esteja ele em qualquer estado ou situação. Se deixarmos o Senhor tocar em nosso olhar, veremos irmãos. Nosso olhar se tornará como o de Deus! Basta pensarmos no sofrimento de um irmão de sangue que nosso coração logo se move naquela direção.

 

A partir do momento que enxergarmos como nossos irmãos aqueles que sofrem espalhados pelo mundo, nos sentiremos impulsionados a ajudar, promover, salvar e defender.  Os desejos múltiplos de Santa Teresinha são expressão de uma alma que percebeu o sofrimento alheio como seu. É muito evidente o desejo dessa santa de levar Jesus a todos. Ela entende que Jesus é o que há de melhor para se ofertar a uma pessoa. O anúncio de Jesus é o socorro, é o consolo, é a esperança, é a maior riqueza que podemos ofertar. O missionário pode e deve ajudar com instrumentos materiais, mas nunca pode se perder da maior riqueza, aquela que ladrão não rouba, traça não corrói, tempo não consome: Jesus Cristo! Santa Teresinha tem essa certeza muito clara: levar Jesus, anunciar Jesus, fincar a Cruz em solo infiel. O missionário é aquele que anuncia Jesus, loucura para o mundo, mas poder de Deus, salvação eterna, luz sem ocaso, amor sem limites.
 

Anajúlia Gabino
Consagrada da Comunidade de Vida
Formadora geral