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A mística e a espiritualidade cristãs têm na força de sua simbologia eclesial o caminho para a paz tão desejada por homens e mulheres de nosso tempo. Uma constatação importante nos tempos atuais, em que ondas de espiritualidades, vindas de toda parte, são propagadas pelos diversos meios de comunicação, sobretudo pela internet, despertando a busca por objetos mágicos e amuletos que encerrariam em si mesmos a capacidade de colocar o ser humano em contato com o transcendente, na busca da paz interior.

É necessário discernir que a simbologia eclesial não atua dessa mesma forma. Comumente, nós católicos, iniciamos nossas celebrações e orações cotidianas com o sinal da Cruz. Mas o que significa mesmo traçarmos este sinal sobre nossos corpos? Será apenas um gesto corriqueiro ao iniciarmos nossas celebrações ou ele contém em si uma força de adesão à fé que professamos em Cristo?

É preciso entender que o sinal da Cruz é, antes de qualquer coisa,  o sinal de nossa redenção.  Ao ser crucificado no madeiro da Cruz, Jesus trouxe ordem ao caos instaurado pelo pecado de Adão.  Ele reconciliou o Céu e a terra, o homem e o cosmos.  Dessa forma, ao traçarmos o sinal da cruz sobre nossas frontes e corpos, expressamos que somos povo redimido, chamados a uma nova existência nele, o Senhor, que com o seu sacrifício na cruz, mostrou-nos de forma concreta todo o amor de Deus por nós. Amor que plenifica nossa vida, tornando-nos homens e mulheres misericordiosos, porque primeiramente, alcançados pela misericórdia do Pai.

É necessário, portanto, que recuperemos em nossas ações cotidianas este antigo costume de nos marcamos com o sinal da cruz, convictos da força que ele exerce sobre nossa vida e história

Nesta perspectiva, somos homens e mulheres da esperança. Ao olharmos para o sinal bendito de nossa redenção, imediatamente percebemos que o Crucificado é o Ressuscitado. Entendemos que a cruz não é derrota, fraqueza. Mas força de Deus, caminho de intimidade e identificação com o Senhor da vida.  “Com efeito, a linguagem da cruz é loucura, para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus” (1Cor 1,18).

Se a cruz, como nos exorta o apóstolo Paulo, é poder de Deus para nós, não temamos vivê-la em nossa existência cristã.  O verdadeiro discípulo vive à sombra da Cruz. É nesta realidade de fé que, enquanto Povo de Deus redimido, fazemos a cada dia a experiência do seu amor que nos preenche e transforma.  

Quando entendemos a grandiosidade da Cruz em nossas vidas, fazemos uma profunda experiência de abertura a Deus e aos irmãos. Experimentamos o amor-entrega, oferente, o Deus por nós que se entrega na Cruz por amor. Que uma vez experimentado também nos leva a nos entregar aos irmãos, nos reconciliando com nós mesmos e com toda a realidade existente.

É necessário, portanto, que recuperemos em nossas ações cotidianas este antigo costume de nos marcamos com o sinal da cruz, convictos da força que ele exerce sobre nossa vida e história ao sairmos e entramos em casa, antes de fazermos nossas refeições em casa ou em local público, ao passarmos na frente de uma igreja, ao entramos no carro ou simplesmente ao iniciarmos um trabalho.

Marcar-nos com o sinal da cruz nestas situações e em tantas outras nos faz ter a certeza de que “nele vivemos, nos movemos e existimos…” (At 17,28). Certeza de que nossa vida e ações têm sentido, de que não somos como palhas levadas ao vento, pois ele, o Senhor, é o timoneiro que conduz o barco de nossa existência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pe. Mateus Lopes
Administrador paroquial da Paróquia Nossa
 Senhora da Piedade, Caeté (MG)