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Proclamar a Palavra – Opção preferencial pelas Juventudes – artigo de Neuza Silveira

Ser jovem hoje é estar inserido numa sociedade constituída de grandes mudanças, novos valores e novos conceitos. Inseridos no âmbito de uma nova conjuntura familiar, política e social, trazem consigo novos valores, comportamentos, interesses e novas visões de mundo.

A realidade atual, principalmente a social, minada pela injustiça, atingida pela corrupção, particularmente no campo ético-político, causa no jovem atitude de descrédito, de decepção, de melancolia. Há uma diversidade de informações que geram inúmeros conceitos e, diante da complexidade presente, eles passam a conviver com a realidade de maneira virtual. Vivem um mundo virtual de maneira real. São tantas as informações colocadas á disposição de todos, e de qualquer jeito que as pessoas, principalmente os jovens acabam se perdendo nesse emaranhado de informações e, muitas vezes, ficam sem saber o que fazer com elas.

Para muitos jovens que não têm acesso às orientações adequadas de suas famílias, não recebem uma educação sobre formas de vida na sociedade, têm se jogado às aventuras e riscos, com amizades não confiáveis, namoros e vida sexual muito cedo e sem cuidados, namoros e amizades virtuais, envolvimento com drogas, violências nas escolas, etc.

Torna-se urgente ajudar a esses jovens na busca de sua identidade e no reconhecimento da importância de seus direitos, deveres, limites e consequências. Juntos trabalhar para a construção de um projeto de vida: repensar e descobrir a grandeza de decidir sobre a própria existência com liberdade, responsabilidade e compromisso. Promover a possibilidade de uma vida familiar saudável e uma sociedade mais justa. Uma sociedade que ofereça espaços para a participação, inserção e aproveitamento do talento e ideias dos jovens que pode contribuir para uma nova cidadania mais justa e equitativa.

O Projeto de Evangelização “Proclamar a Palavra”, da Arquidiocese de Belo Horizonte, ao reafirmar a opção preferencial pelas juventudes, coloca em evidência a importância das juventudes como membros imprescindíveis para ajudar a Igreja a se abrir a novos horizontes, na vivência de sua fé e missão. Ao mesmo tempo, a Igreja contribui para que os jovens façam sua escolha por Jesus Cristo e pelo Reino, na experiência comunitária de amadurecimento da fé, com efetiva participação.

A Igreja faz um convite pessoal e comunitário; um chamado aos jovens a olhar a realidade na qual vivemos, reconhecendo nela as pegadas do Senhor da Vida e da História, assumindo o conflito e dando respostas transformadoras que façam, dessa realidade, um lugar de vida abundante, assim como nos diz Jesus no Evangelho de João: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundancia”(Jo, 10, 10b).

Convida os jovens a pensar. E pensar é captar na e da realidade o sentido que a transcende e que, portanto, arranca o sujeito do horizonte fechado e pequeno dos interesses subjetivos, e o transporta para alem de si mesmo, amplia seu olhar para outros aspectos da vida e de sua vocação: solidariedade e felicidade, o prazer e o questionamento, a capacidade de contemplar e a de desfrutar da beleza da vida e de cuidar do universo… e tudo isso contribui para que eles, os e as jovens recuperem a auto estima e a coragem de sonhar.

O trabalho pastoral com as juventudes

O cristianismo, ao se aproximar dos jovens, não lhes oferece receita pronta, nenhuma terapia astral, nenhuma panacéia. Muito menos quer apresentar-lhe uma instituição, um sistema, uma ideologia. Os jovens pós-modernos estão saturados de ofertas.

A pastoral necessita estar atenta às suas propostas, procurando propor aos jovens uma pessoa muito especial: Jesus Cristo, que viveu a aventura humana até o extremo de humanidade. Jesus teve um projeto de vida. Viveu-o. Essa vivência caracterizou-se pelo diálogo e pela relação com o Pai, junto à abertura de sua história, identificando-se com as dores e esperanças de seu povo. Mostrou, com palavras e obras, que Deus estava com os pobres.

Jesus não só vive, nem só anuncia o Reino de Deus. Ele convida ao seguimento. Aceitar o seu convite é ir ao encontro pessoal com o Senhor Ressuscitado. Colocar-se no caminho, no seguimento, é um compromisso que entusiasma, pois se descobre que Deus ama as pessoas não pelo que aparentam, mas pelo que são. Descobre-se que não há limites na doação gratuita do amor. Para os jovens e adolescentes, abraçar o projeto de vida de Jesus é certamente maravilhoso porque ele traz consigo o desejo de viver em plenitude e a vontade de aceitar-se e ser aceito gratuitamente. Trata-se de um projeto que responde aos anseios mais profundo dos corações.

Neuza Silveira de Souza

Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-catequético de Belo Horizonte