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Proclamar a Palavra: Fé, Política e Cidadania – artigo de Neuza Silveira de Souza

Etapa arquidiocesana da 5ª Assembleia do Povo de Deus (APD)

Continuando nossa reflexão sobre as diretrizes da 5ª Assembleia da nossa Arquidiocese de Belo Horizonte, o tema de hoje é sobre Fé, Política e Cidadania. Trata-se de um tema muito importante para a formação do nosso ‘ser cristão’ uma vez que ele tem sua fundamentação na Palavra de Deus e nos ensinamentos da Igreja.

Fé, Política e Cidadania é um compromisso pautado na promoção do bem comum e, como sinal de comunhão, revela a justiça do Reino. Assim sendo, a realização desse compromisso é ação de todos os cristãos.

Primeiramente torna-se necessário esclarecer sobre a palavra ‘política’, fazendo a distinção entre o que é Política Social e Política partidária. Todos os trabalhos relacionados com a organização da saúde, a rede escolar, os transportes, os salários, tudo que diz respeito ao bem comum da sociedade tem a ver com a Política Social. Lutar juntos com o objetivo de conseguir, para o bairro em que se mora, rede de esgoto, luz elétrica, escola, posto de saúde, é fazer política social.

A política partidária representa a luta pelo poder de Estado, para conquistar o governo municipal, estadual e federal. Os partidos políticos existem com o objetivo de se chegarem ao poder para exercê-lo assim como ele se encontra constituído, atualizando-o ou modificando conforme se propõe no seu projeto político partidário.

Compreendendo a diferença entre o ‘ser político’ e o ‘tomar partido na política’, pode-se falar do ato de se envolver nas atividades necessárias para conseguir bens comuns, para cuidar dos bens e conservá-los. Isso é Política Social. Mas se envolver nessas atividades para colocá-las em prática exige das pessoas esclarecimentos que a Igreja pode ajudar a se obter por meio da sua Doutrina Social.

A Igreja ajuda a bem direcionar as ações para as maiores necessidades da sua comunidade. Ela deve interferir no campo ético-moral e econômico que sempre tem reflexo sobre o ser humano e seus direitos. Ela se coloca em serviço, oferece formação e convoca os cristãos para contribuir no exercício da cidadania. As paróquias são lugares de constituir uma pastoral de Fé e política para, em conjunto com as demais pastorais, trabalharem em prol das dificuldades existenciais da sua comunidade.

Nesse sentido,  essas atividades entram no conjunto da ação evangelizadora da Igreja constituindo-se como tarefa da catequese.  Desde criança somos convidados a cuidar, proteger e melhorar nossa a comunidade. A prefeitura, na sua ação política partidária, faz as praças, os parques, o campo de futebol e todos as crianças, jovens e adultos colocam em prática suas ações políticas sociais para cuidar proteger e conservar.

Como anda a nossa Arquidiocese na  prática da boa Política Social

A partir de uma pesquisa elaborada pelo grupo de Fé e política da Arquidiocese de Belo Horizonte, foi constatado que a maioria dos grupos que se propõe a se colocar no desenvolvimento de trabalhos relacionados ao tema e sua prática, encontram-se concentrados mais no centro da Capital e em seu entorno, revelando a quase inexistência dessa prática pastoral nas áreas mais distantes da sede da Arquidiocese.

A leitura desses dados torna-se relevante para a reflexão de nossa catequese, e no processo da ação missionária e evangelizadora da Igreja, pois todos os trabalhos da Igreja, como seguidora de Jesus, tem suas ações propostas no seguimento de Jesus.

Olhando para os evangelhos percebemos como todo o ensinamento de Jesus traz consigo as exigências sobre as questões sociais.  Ele está sempre a chamar atenção para questões como: amor ao próximo, caridade, justiça, solidariedade, vida em comunidade, partilha. Seus ensinamentos encontram-se pautados  pela necessidade de trabalhar nas questões que afetam a vida do povo, principalmente a dos mais pobres. Ele chega a desafiar o poder estabelecido e subverte a ordem e os valores do poder do mundo: “o maior é aquele que serve”.

Jesus seguia os ensinamentos vindos das experiências de seus antepassados. Desde o Antigo Testamento, essas questões se fazem presente na realidade da vida das pessoas. Os profetas já denunciavam as questões políticas que afetavam e oprimiam o Povo de Deus. Toda a história de Moisés se move em torno da batalha para a libertação do  povo oprimido pelo Faraó do Egito. Isaías questionava a elaboração de projetos iníquos carregados de normas que propunham a negação da justiça ao fraco e a fraude do direito dos pobres (Is 10-1-2).

É nesse sentido, colocando-se no cumprimento da ‘Palavra proclamada’, que os cristãos são chamados a se colocarem frente às exigências do Evangelho e assumir  suas responsabilidade nas questões políticas sociais sendo como sal na terra e luz no mundo.

Neuza Silveira de Souza é Coordenadora
da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética
de Belo horizonte