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Processo de beatificação do padre Júlio Maria começa em janeiro

Começa em janeiro de 2015 o processo de beatificação do padre Júlio Maria de Lombaerde (1878-1944). Nascido na Bélgica, ele passou os últimos 16 anos de sua vida em Minas Gerais, onde se dedicou à criação de escolas, hospitais, asilos e congregações. Atualmente o padre tem o título de Servo de Deus, mas em janeiro do ano passado o Vaticano autorizou a abertura do processo de beatificação.

A fase diocesana do processo de beatificação e posterior canonização do missionário terá início em Manhumirim, na Zona da Mata, de onde vem a mobilização para reconhecê-lo como santo. O bispo diocesano de Caratinga, dom Emanuel Messias de Oliveira é o responsável pelos procedimentos. Entre os dias 22 e 24 de janeiro será realizado um simpósio com palestras e oficinas sobre temáticas relacionadas à vida e obra do padre Júlio Maria. Participantes de outros estados brasileiros são aguardados.

O ato jurídico que dará início ao processo acontece no dia 24, às 20h, na Matriz do Bom Jesus. No dia 25, domingo, será celebrada uma missa de ação de graças também na Igreja Matriz de Manhumirim. Durante o processo, as comissões deverão levantar dados sobre a santidade do candidato, suas ações e pregações. Após esse trabalho, os documentos serão enviados a Roma, dando início à próxima fase. Caso os documentos sejam aprovados, será necessária a comprovação de dois milagres, sendo uma para beatificação e outro para a canonização.

O padre Júlio Maria de Lombaerde morreu em 1944, vítima de um acidente de trânsito quando viajava da cidade Alto Jequitibá para Manhumirim. No passado, os membros das congregações Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento (Missionários Sacramentinos), Filhas do Coração Imaculado de Maria (Irmãs Cordimarianas) e Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora, fundadas pelo padre, decidiram se mobilizar para o processo de beatificação.

São vários os relatos de graças e milagres alcançados sob a intercessão de padre Júlio Maria em Caparaó, Manhumirim e Carangola, cidades da região onde o religioso atuava. O primeiro caso data de 1946, quando uma mãe relatou a cura imediata de dois filhos atacados por coqueluche. A mesma senhora se disse curada de um inchaço no nariz, depois da aplicação de relíquia do padre. No segundo caso, em 1947, a moradora Maria Lima Ribeiro agradeceu ao religioso duas bênçãos alcançadas em favor de uma filha e de um sobrinho. O terceiro relato, deste mesmo ano, é de um homem que alcançou uma graça para o filho. As histórias estão registradas em edições do Jornal Lutador, um periódico católico conhecido internacionalmente e fundado pelo Servo em 1928. Com sede em Belo Horizonte, o periódico circula ininterruptamente há mais de 80 anos.

O padre Júlio Maria começou sua missão na cidade de Macapá (AP). Ele foi escritor, professor, médico e farmacêutico. O religioso também fundou escolas e bandas de música para jovens. Em Manhumirim ele construiu o Ginásio Pio XI, o Colégio Santa Teresinha, o Patronato Agrícola Santa Maria, Asilo São Vicente de Paulo e o Hospital São Vicente, hoje chamado Hospital Padre Júlio Maria, conforme os sacramentinos.