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Presidência da CNBB apresenta principais assuntos discutidos pelo Conselho Permanente

Concluídos os trabalhos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nesta quinta-feira, 10 de março, a Presidência da entidade concedeu entrevista coletiva e apresentou os temas abordados durante a reunião, realizada em Brasília. Na entrevista foi divulgada “Nota sobre momento atual do Brasil”. O vídeo da coletiva está disponível na íntegra no canal da CNBB no youtube, clique aqui.
 
Atenderam a imprensa o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha; o arcebispo de Salvador (BA) e vice-presidente, dom Murilo Krieger; o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral, dom Leonardo Steiner. 
 
Na ocasião, dom Sergio lembrou que o início da reunião do Conselho Permanente, na terça-feira, 8, foi marcado por homenagens ao Dia Internacional da Mulher. Na cerimônia de abertura, a Presidência da CNBB falou sobre a valorização da mulher na Igreja e na vida da sociedade, sendo necessário, segundo a Conferência, reconhecer as mulheres pelo que são e pelo que fazem. “Insistimos na valorização da mulher, agradecendo sua presença na vida da Igreja e sociedade”, disse dom Sergio. 
 
Ainda, no decorrer da coletiva, os bispos recordaram os três anos do pontificado de Francisco, que foi eleito papa no dia 13 de março de 2013.  “O papa Francisco tem dado grande contribuição à missão e vida da Igreja. Convidamos a todos para continuar rezando pelo papa, como ele sempre nos pede. A CNBB enviará uma mensagem ao papa por essa data tão especial que temos a alegria de celebrar”, disse dom Sergio.
 
Temas debatidos 
 
Outro assunto em destaque, no Conselho Permanente, foi a preparação para a 54ª Assembleia Geral da CNBB, que acontecerá de 6 a 15 de abril em Aparecida (SP). O tema central  será “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade. Sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14). Segundo o presidente da CNBB a temática já foi trabalhada em outras Assembleias Gerais e retorna na 54ª AG como tema central. “A escolha significa que há uma opção do episcopado em aprofundar a missão do leigo, neste momento tão oportuno para a vida da sociedade”, afirmou. 
 
No pronunciamento, o presidente da CNBB reforçou os trabalhos desenvolvidos pela Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016. “Quero, ainda, recordar a importância da continuidade da Campanha da Fraternidade. Esta Campanha recebeu bastante atenção da mídia, houve divulgação em massa. Não podemos correr o risco de deixar cair no esquecimento a problemática debatida pela CF sobre o saneamento básico. A Campanha deve continuar além do período da Quaresma, também no compromisso ao combate ao mosquito Aedes aegypti, por parte das nossas igrejas e de toda a sociedade”, acrescentou. 
 
O Conselho Permanente da CNBB também tratou da conjuntura atual. Na oportunidade, a vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),  ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha, falou sobre a “Situação do Sistema Carcerário no Brasil”.  
 
Nota divulgada
 
Ao final da entrevista foi divulgada a nota sobre o momento atual do Brasil. No texto, os bispos manifestam preocupações diante do momento atual vivido pelo país. “Vivemos uma profunda crise política, econômica e institucional que tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, pilares para a vida e organização de toda a sociedade”, afirmam no texto.
 
A Conferência fala sobre  a necessidade de buscar o exercício do diálogo e do respeito. “Conclamamos a todos que zelem pela paz em suas atividades e em seus pronunciamentos. Cada pessoa é convocada a buscar soluções para as dificuldades que enfrentamos. Somos chamados ao diálogo para construir um país justo e fraterno”, declaram em nota.
 
Sobre as suspeitas de corrupção na política do país, a CNBB aposta na apuração rigorosa pelas instâncias competentes. “Isso garante a transparência e retoma o clima de credibilidade nacional. Reconhecemos a importância das investigações e seus desdobramentos. Também as instituições formadoras de opinião da sociedade têm papel importante na retomada do desenvolvimento, da justiça e da paz social”.
 
A respeito dessa realidade, o vice-presidente, dom Murilo Krieger, recordou o dever do estado de garantir investigação precisa e zelar pelo bem dos cidadãos. “Cabe ao Congresso Nacional cuidar do país, para que caminhe bem por meio de condições justas. E, os partidos políticos, independentemente da posição que ocupem, têm uma contribuição importante, pela força que representam. Queremos que todos colaborem para a paz social, por meio da democracia, sem incitar a violência em qualquer forma que seja”, pontuou. 
 
Ao final, o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner falou sobre a necessidade do cuidado para que não haja promoção da violência pelas palavras, mas sim do diálogo e da paz. “Nós da CNBB não temos opção partidária, optando por um governo ou outro. Temos o compromisso com os pobres. Queremos que as pessoas sentem-se à mesa e dialoguem. Não é função da Conferência ser a favor ou contra, mas iluminar e propor caminhos para o bem do Brasil. A CNBB não tem medo de dialogar, estamos aqui para isso”, disse dom Leonardo Steiner. 
 
Constituem o Conselho Permanente da CNBB a Presidência da entidade, os bispos presidentes das doze Comissões Episcopais Pastorais e dos dezoito regionais. Participam da reunião, como convidados, representantes de pastorais e organismos vinculados à Conferência.