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Pastoral dos Direitos Humanos: Igreja incentiva a espiritualidade e a cidadania nas comunidades mais pobres

 

Moradora de uma residência simples, mas espaçosa, acolhedora, com uma generosa varanda, a senhora Onofra Averbina de Jesus abre as portas de seu lar para receber moradores do bairro Piratininga, localizado em Venda Nova, em Belo Horizonte. Com encontros periódicos, ela promove ações da Pastoral dos Direitos Humanos. “As pessoas desfavorecidas não sabem dos seus próprios direitos e muitas vezes nem procuram conhecê-los. A missão da Pastoral é a de fornecer essa possibilidade de conhecimento para todos os que nos procuram”, explica a agente de Pastoral.

O anúncio dos encontros é feito entre as próprias pessoas da comunidade, e as reuniões costumam ser frequentadas por um grande número de participantes. Há ocasiões em que a varanda da casa da senhora Onofra recebe mais de 60 moradores. O bairro se localiza em uma área de grande vulnerabilidade, de acordo com o Mapa da Exclusão Social de Belo Horizonte – um estudo realizado, em 1999, por uma equipe multidisciplinar de professores da PUC Minas em parceria com o poder público.

Nos encontros, há leitura bíblica e discussão sobre temas de interesse da comunidade, como saúde, cultura, esporte, lazer, programas de inclusão, moradia, segurança e acesso à Justiça. Os eventos são organizados pela coordenadora da Pastoral dos Direitos Humanos, Emely Vieira Salazar.

Criada em 1979, a Pastoral dos Direitos Humanos tem a preocupação de contribuir para a formação de uma cultura de respeito à dignidade humana, por meio da promoção e vivência dos valores de liberdade, justiça, igualdade, solidariedade, cooperação, tolerância e paz. “O povo precisa reconhecer seus direitos. A Pastoral prioriza a divulgação e difusão da cultura e da educação dos direitos humanos”, explica Emely Salazar.

Anualmente, a Pastoral promove, entre os meses de setembro e dezembro, o Curso Educação Popular em Direitos Humanos em parceria com o Núcleo de Estudos Sociopolíticos (NESP/PUC Minas), instituição da Arquidiocese de Belo Horizonte. O curso tem o objetivo de formar agentes de direitos humanos e líderes.

Padre Vitório, do departamento de Teologia da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Direitos Humanos (FAJE), que durante o curso promoveu a formação em Mística e Direitos Humanos, ressaltou a importância da iniciativa. “Temos que ser solidários na defesa dos direitos dos outros. É necessário lutar pelos direitos dos socialmente vulneráveis”, diz o sacerdote.

Além do curso, a Pastoral de Direitos Humanos oferece plantão jurídico, apoio a vítimas de violência, assistência jurídica na área de direitos humanos, atendimento familiar: amparo a familiares de presos da Região Metropolitana de Belo Horizonte em suas dificuldades; atendimento comunitário, ajuda e orientação às comunidades dos bairros Justinópolis e Piratininga.