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Pastoral Afro-Brasileira celebra Dia da Consciência Negra

A Conferência NAcional dos Bispos do Brasil (CNBB) destacou, no dia 20 de novembro,  a celebração, em todo o País, do Dia da Consciência Negra. Uma data que chama a atenção para a necessidade  das articulações e reflexões sobre direitos, igualdade de oportunidades, liberdade e reconhecimento do povo de descendência africana.

Durante entrevista coletiva à imprensa, na quinta-feira, dia 20, presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis, lembrou que os negros sofrem as consequências da escravidão até os dias hoje. “Por isso mesmo, nós procuramos saudar essa dívida social com os negros que tanto contribuem para a cultura, a história, o desenvolvimento  e elementos religiosos do país”.

Também nesta manhã, a Pastoral Afro-Brasileira CNBB promoveu, na sede da instituição,  uma festa chamada tradicionalmente pelas comunidades negras de quizomba. Participaram da iniciativa os bispos, colaboradores e assessores. “No Brasil inteiro, toda comunidade hoje tem celebração inculturada ou uma quizomba com demonstração da nossa cultura, exposições, teatros, cantos”, informou o assessor da Pastoral Afro-Brasileira da CNBB, padre Jurandyr Araújo.

O assessor explica que estes eventos têm uma orientação comemorativa, mas também estão voltados para a afirmação da consciência política, da pertença étnico racial e da reivindicação dos direitos da população negra que, de acordo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2013, corresponde a 53% da população brasileira.

Pastoral Afro-Brasileira

A valorização da cultura Afro-brasileira é um dos desafios da Pastoral Afro, que atua na defesa do patrimônio cultural e religioso da população negra. O arcebispo emérito da Paraíba (PB), dom José Maria Pires, foi um dos precursores da Pastoral, que busca dar espaço aos negros na vida da Igreja. “Eram alguns bispos e padres brancos que achavam que deveriam dar oportunidade aos negros. Então começamos com alguns pequenos movimentos, algumas pequenas celebrações. Aí fomos progredindo,  caminhando, até que nós pudéssemos ter organizada hoje uma verdadeira Pastoral Afro-Brasileira”, recorda.

A criação da Pastoral era, de acordo com dom José Maria Pires, uma afirmação de que não havia inferioridade no povo de origem africana e que os elementos de sua cultura podiam fazer parte das celebrações.

“Nossas celebrações, por exemplo, são diferentes, claro. Quanto tivemos a missa dos quilombos, lá na serra onde morou Zumbi, a gente viu como aquilo realmente era. Tinham os elementos essenciais da missa, mas, ao mesmo tempo, tinha algo de diferente na celebração. Uma celebração muito alegre, participação com cantos, com danças…”, lembra o arcebispo emérito.

Dom José Maria Pires ressalta que as diferenças étnicas e culturais devem ser respeitadas. “Somos diferentes, temos que nos respeitar mutuamente, não podemos querer que o branco celebre como negro celebra, mas essas diferenças devem ser levadas em conta não só na parte religiosa, mas na parte social também. O negro tem seu jeito de ser e esse jeito de ser não é uma oposição ao branco, mas uma coisa realmente diferente”, explica.

Participação histórica

Por sua vez, o bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e referencial para a Pastoral Afro na arquidiocese, dom Pedro Cunha Cruz, aponta a participação do negro na história do Brasil. “Não se pode pensar, portanto, a história do país, na sua construção, sem a participação do negro. Então gostaria que esse dia fosse bem celebrado, bem conscientizado, que outras dioceses também se abrissem a essa inciativa, realmente no sentido de reconhecermos a figura do negro na Igreja e na sociedade”, disse.