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Paróquias atuam em rede na proteção do meio ambiente e promoção da cidadania


Momento de espiritualidade e abraço simbólico à serra do Rola Moça

 

Paróquia São Dimas, no Vale do Jatobá, atua em ações de proteção ao meio ambiente e  da cidadania, de forma articulada  com as paróquias Santa Clara e São Francisco de  Assis e  Cristo Redentor, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte.  Essas comunidades de fé já conseguiram, por exemplo, impedir atividade mineradora na Serra do Rola Moça e a instalação de uma usina de incineração de lixo hospitalar. Nesta iniciativa, em particular, a mobilização envolveu a Paróquia Maria Estrela da Evangelização.

Por meio dos grupos de fé e política das paróquias, a população se mobilizou na realização de um abaixo-assinado e de audiência pública para pedir o arquivamento do projeto que previa a redução do Parque Estadual do Rola Moça em 6,5%, com cessão desta parcela do terreno para exploração de minério. Segundo a coordenadora do grupo da Paróquia Santa Clara e São Francisco, Maria Luzia Marques da Silva, mais de 500 pessoas, entre moradores da região e  alunos da PUC Minas que apoiam as comunidades,  compareceram à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. “Depois desta audiência, não se ouviu mais  falar em redução do Parque, mas continuamos atentos”, afirma.

A  preocupação se deve ao fato de o Parque do Rola Moça, com seus 3.941 hectares, estar situado em local de transição entre os biomas Cerrado e Mata Atlântica, considerados hotspots brasileiros, ou seja, uma importante área para preservação  da biodiversidade na Terra.  A vegetação é constituída de Campo Ferruginoso e de Altitude. O Campo Ferruginoso é muito raro, sendo encontrado apenas em Minas Gerais, no quadrilátero ferrífero, e em Carajás, no Estado do Pará.  No local crescem espécies como bromélias,  orquídeas, cedro, jacarandá, jequitibá, arnica e a canela-de-ema,  planta símbolo do lugar. O Parque também abriga seis importantes mananciais de água – Taboões, Rola-Moça, Bálsamo, Barreiro, Mutuca e Catarina – declarados pelo Governo Estadual como Áreas de Proteção Especial. Eles garantem a qualidade dos recursos hídricos que abastecem parte da população da região metropolitana de Belo Horizonte, além de abrigar répteis e  mamíferos como tamanduás e raposas.

Atualmente,  de acordo com Maria Luzia, o empenho das comunidades concentra-se na  aprovação do Projeto de Lei nº 1810, de 2011, que prevê a ampliação do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, que passaria a encampar 1.600 ha da serra da Calçada, braço importante da serra da Moeda. Hoje, o projeto encontra-se na comissão de constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Minas, que aguarda resposta a consulta feita à Secretaria de Estado da Casa Civil e Relações Institucionais e ao Instituto Estadual do Património Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). A medida é considerada pelos ambientalistas essencial para a preservação definitiva dessa importante área que pertence à serra da Moeda.  No local existem 37 nascentes que abastecem municípios da região.  De acordo com a coordenadora do Grupo de Fé e Política da Paróquia São Dimas, Isabela Lana, a preocupação é com o soterramento de minas d’água, em decorrência  da atividade mineradora.  “As nascentes de água do Rio Paraopeba, um dos principais afluentes do Rio São Francisco, também se encontram neste espaço do Parque  do Rola Moça e em seu entorno. Assim,  temos a responsabilidade de cuidar deste importante manancial, especialmente nos dias de hoje em que as populações de muitas cidades já estão sofrendo com a falta de água” , observa.

 


Preservar as nascentes é uma das principais preocupações da comunidade 

A espiritualidade não fica esquecida entre as ações dos grupos de fé e política. Na Semana do Meio Ambiente, os integrantes dos grupos responsáveis pela preservação ambiental subiram a serra  para a Celebração da Palavra. Após o anúncio do Evangelho, os participantes fizeram a  recordação da vida, centrada no compromisso do cuidado com a natureza e com a cidadania.  

A comunidade também tem se dedicado a ações que visam a melhoria da mobilidade urbana  na região. A população já conseguiu levar linha de ônibus para a Vila Mangueiras e, agora, faz um abaixo-assinado para estender o transporte até a nova sede do Posto de Saúde. Contudo, o maior desafio é levar o metrô até  o Vale do Jatobá.

Segundo Isabela Lana,  todas as semanas pessoas da comunidade se reúnem na Escola Municipal Isaura Santos, para tratar desta questão. Representantes dos grupos  foram a   Brasília, duas vezes, para reivindicar as verbas necessárias ao governo federal. “Nosso objetivo é garantir que a região seja contemplada com a primeira liberação de recursos para o metrô de Belo Horizonte. Existe um projeto para levar o metrô para a Savassi, mas nossa região é mais carente do transporte público e tem uma população bem maior, o que justifica nossa reivindicação” afirma Isabela,  que destaca a importância do apoio da Igreja na iniciativa popular. Ela lembra que essas ações foram encampadas por foranias da  Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida, na Arquidiocese de BH.

O cuidado com os mais pobres também  congrega  pessoas das comunidades de fé  que atuam nas pastorais sociais, especialmente, na Pastoral da Criança , Pastoral da Saúde e na Sociedade  São Vicente de Paulo.

Junto com as ações que visam melhorar a qualidade de vida, no cotidiano da comunidade, as Paróquias buscam  transformações estruturais, atuando ativamente na coleta de assinaturas para o Projeto de  Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política e Eleições Limpas. A proposta, segundo José Zacarias, do grupo de fé e política da Paróquia São Dimas,  tem  contado com grande aceitação dos fiéis e da população em geral.

 

Fotos: Webert Silva