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Paróquia Nossa Senhora do Morro: Museu comunitário leva exposição para a Itália

Das 1.200 famílias que serão removidas do Aglomerado Santa Lúcia apenas 400 terão a oportunidade de continuar morando na região. Pensando nisso, o Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu) organizou a Exposição “Janelas, Histórias e Memórias em Extinção”, que reúne imagens e objetos que contam a história do Aglomerado, em particular das vilas Esperança e São Bento, que serão totalmente destruídas para a construção de um novo parque para os belo-horizontinos.

A Primeira Mostra Itinerante do Muquifu chegará até a cidade de Pádua (Itália), entre 15 de janeiro e 28 de fevereiro de 2014. A exposição reunirá imagens de moradores das comunidades do Aglomerado Santa Lúcia (Vila Esperança e Vila São Bento) e tem como curador um dos fundadores do Muquifu, o padre Mauro Luiz da Silva, responsável pela Paróquia Nossa Senhora do Morro e museólogo formado pela Universidade de Pádua. Dois artistas da favela irão participar da mostra em Pádua. No dia 15 de janeiro, Fabiano Valentino e Bianca de Sá terão a oportunidade de acompanhar o lançamento. Algumas de suas obras estarão expostas até o dia 28 de fevereiro.

No último dia 16, o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Ângelo Oswaldo, visitou o Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos. Na oportunidade, disse que “o trabalho do Muquifu tem um grande impacto na autoestima da comunidade. É um museu admirável”. Localizado no Beco Santa Inês, 30 – Barragem Santa Lúcia, o Museu tem como vocação garantir o reconhecimento e a salvaguarda do patrimônio cultural, artístico e histórico presente nas favelas. Atualmente, o Muquifu propõe a visita da exposição de longa duração “Doméstica – da escravidão à extinção. Uma antologia do Quartinho de Empregada no Brasil”, e das mostras temporárias “Janelas, Histórias e Memórias em extinção”, do fotógrafo Marco Mendes; “Meu Reino sem Folia” da fotógrafa Bianca de Sá; “Muro, o lado de cá” e “Esperança, a Vila que nunca existiu?” do fotógrafo Jorge Quintão e “Meu Olhar sobre a Favela” do pintor Fabiano Valentino (Pelé).

 

A montagem das exposições foi coordenada pela professora Verona Segantini e alunos do 5º período do curso de Museologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que tiveram a oportunidade de realizar um trabalho de campo na área da museologia social. Também contou com a participação da comunidade, que doou objetos, fotografias e histórias para o acervo.