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Papa recebe novos bispos em audiência: dom Geovane, dom Otacílio e dom Vicente participam de encontro com Francisco

 

O Papa Francisco recebeu hoje, dia 14 de setembro, em audiência na Sala Clementina, os novos bispos, recém-ordenados, que estavam participando de curso organizado pela Congregação para os Bispos e pela Congregação para as Igrejas Orientais.

Da Arquidiocese de Belo Horizonte, participaram os bispos auxiliares dom Geovane Luís da Silva, dom Otacílio Ferreira de Lacerda e dom Vicente de Paula Ferreira. Ao todo, 115 bispos participaram do curso e também do encontro com o Papa Francisco.

O curso tem o objetivo de partilhar informações para que os novos bispos possam melhor compreender o mistério do Episcopado mediante uma das suas tarefas principais: oferecer ao próprio rebanho o discernimento espiritual e pastoral necessário para que chegue ao conhecimento e à realização da vontade de Deus, no qual reside toda e qualquer plenitude.

O Papa refletiu com os novos bispos sobre o fato de vivermos em um tempo marcado pela auto-referencialidade. Francisco recomendou-lhes generosidade e obediência a Deus, e recordou que “só quem é guiado por Deus tem título e autoridade para ser proposto como guia dos outros.” O Espirito Santo que rege e guia, é como que “uma bússola, dá os critérios  para distinguir, para si e para os outros, os tempos de Deus e da sua graça”.

O bispo “não pode não ter em conta a posse de um dom tão alto e transcendente”. “É necessário implorá-lo continuamente como condição primária para iluminar toda a sabedoria humana, existencial, psicológica, sociológica, moral de que nos podemos servir na tarefa de discernir as vias de Deus para a salvação daqueles que nos são confiados” – disse Francisco.Por isso, é imperativo implorar de Deus não uma vida longa, riquezas, a vida dos inimigos, mas apenas o “discernimento ao julgar no meio do povo”. Sem esta graça seremos incapazes de “avaliar o tempo de Deus” – destacou Francisco, que continuou:“O discernimento nasce, portanto, no coração e na mente do Bispo através da oração, quando põe em contato as pessoas e as situações que lhe são confiadas com a Palavra divina pronunciada pelo Espirito. É nessa intimidade que o Pastor amadurece a liberdade interior que o torna firme nas suas escolhas e nos seus comportamentos, tanto pessoais como eclesiais (…)”.

E o Papa recomendou aos Bispos a oração como forma de se chegar à verdade, à luz de Deus. Revestido de uma responsabilidade pessoal, o Bispo é chamado a viver o próprio discernimento de Pastor como membro do Povo de Deus, esse Povo que pelo Batismo recebeu a graça do Espírito. “O discernimento do Bispo  – disse é sempre uma ação comunitária” que não deve prescindir dos outros, sob pena de se considerar superior aos outros e orgulhosos mesmo perante Deus.O Papa encoraja, portanto, os bispos a um dialogo sereno, a não ter medo de partilhar e mesmo a modificar o próprio discernimento no dialogo com os irmãos no episcopado, com os próprios sacerdotes, com os fieis leigos… Sem essa partilha – “a fé dos mais cultos pode degenerar na indiferença e a dos mais humildes na superstição”.Francisco convida a uma atitude de escuta, a crescer na liberdade de renunciar ao próprio ponto de vista para assumir o de Deus. Convidou-os igualmente a não se contentarem do olhar dos outros, mas a procurarem conhecer pessoalmente os lugares e as pessoas, a “tradição” espiritual e cultural da diocese que é confiada a cada um, lendo o presente à luz do Evangelho. Nada, todavia, de protagonismos ou narcisismos, mas sim dar o próprio testemunho em união com Deus, servindo o Evangelho, porque discernir, afinal de contas, significa humildade e obediência ao Evangelho. É um processo criativo, que evita rigidez,  que não se limita a aplicar esquemas, a dizer “sempre se fez assim”, ou “deixemos passar o tempo”. Evitar ter uma única resposta para todos os quesitos.

O Papa recomendou ainda aos novos Pastores da Igreja uma delicadeza especial para com a cultura e a religiosidade do povo. Não são algo a esconder, a tolerar, mas a ter em consideração e como sujeito de dialogo, de evangelização, do qual o discernimento do bispo não pode prescindir. E exortou: “Recordai-vos que Deus estava já presente nas vossas dioceses quando lá chegastes e estará ainda lá quando fordes embora. E que no fim seremos todos julgados não com base na contabilidade das nossas obras, mas sobre o crescimento da obra de Deus no coração do rebanho que apascentais em nome do “Pastor e custódio das nossas almas”.Os bispos devem esforçar-se por crescer no discernimento  incarnado e inclusivo que dialoga com a consciência dos fiéis, consciência que deve ser formada e não substituída. Tudo num processo de acompanhamento paciente e corajoso para que todos – fiéis, famílias, presbíteros, comunidade e sociedade  – possam progredir na liberdade de escolher e realizar o bem desejado por Deus. Com efeito, disse o Papa – a atividade de discernimento não é reservada aos sábios, aos perspicazes e aos perfeitos. Antes, pelo contrário, Deus muitas vezes resiste aos soberbos e se mostra aos humildes.

O Pastor – frisou ainda o Papa no seu amplo discurso – sabe que Deus é a Via, a Verdade e a Vida. Por isso, o autentico discernimento, embora definitivo em cada passo, é um processo sempre aberto e necessário, que pode ser completado e enriquecido.Uma condição essencial para progredir no discernimento é educar para a paciência de Deus e aos seus tempos, que não são nunca os nossos – concluiu o Papa, rogando aos novos bispos “terem escrupulosamente perante os olhos Jesus e a sua missão, que não era sua mas do Pai”, a darem aos fiéis a possibilidade de encontrar pessoalmente a Deus e de escolher a sua via e de progredir no seu amor.Informações: Rádio Vaticano

 

 

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