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Todo tempo litúrgico traz sua marca própria, suas características e particularidades que o tornam singular frente aos outros tempos. Em se tratando da liturgia, os elementos simbólicos e rituais apresentam e sinalizam essas diferenças. No tempo do Advento, enquanto realidade litúrgica, quais são os símbolos próprios? Responder a esta questão significa delinear o perfil deste tempo, compreendendo como a liturgia se comporta neste período para um agir pastoral mais consciente e amadurecido.
    

Como em todo tempo, no Advento a Eucaristia e a Palavra são símbolos essenciais e fundamentais. Mas vistos a partir da mística própria do Advento, contribuem de maneira particular, mesmo sendo comuns aos outros. O Advento é tempo da escuta da Palavra. Como tempo da espera, a comunidade de fé, tal qual a Virgem, se engravida da Palavra de Deus que forma Cristo em nós. Neste caso, convém sublinhar a diferença entre o chamado “advento escatológico” nas duas primeiras semanas e o “advento histórico” nas duas últimas.

 

As formas, evocativas por si, trazem à tona o caráter cíclico do tempo litúrgico, o sentido da vigilância pelas chamas
marca a atitude espiritual do tempo

Nas duas primeiras semanas, as leituras orientarão o coração da comunidade para a segunda vinda do Senhor.  Nas duas últimas, para a primeira vinda, celebrada no Natal. Já a Eucaristia, enquanto sacramento da espera, traz essa dupla significação, pois a celebraremos enquanto rumamos para a comunhão definitiva com Deus, até o final dos tempos e a vinda definitiva do Reino. Historicamente, por sua vez, ela torna presente no seio da Igreja o próprio Cristo, sobretudo nas espécies sagradas, onde o altar se faz manjedoura, o pão sua carne e o vinho o seu sangue.
 

Mas existem os símbolos que são próprios do Advento: a reserva simbólica, a cor violácea, a coroa do Advento. O primeiro, na verdade é uma ausência. A Igreja reserva determinados elementos rituais e simbólicos festivos, deixando-os para a solenidade do Natal. Não se canta o glória e usa-se moderação para os arranjos florais. O segundo elemento, a cor violácea, evoca o caráter preparatório do tempo, distinguindo-se da quaresma enquanto tempo de penitência.
 

Sobressai o símbolo da coroa do Advento pela sua singularidade e beleza. Trata-se de um aro recoberto de folhas de pinheiro com quatro velas que ao longo das semanas do Advento vão sendo acesas nas celebrações dominicais. As formas, evocativas por si, trazem à tona o caráter cíclico do tempo litúrgico, o sentido da vigilância pelas chamas que vão progressivamente se acendendo e a esperança que marca a atitude espiritual do tempo. Convém não diminuir a dinâmica própria do símbolo: ramagem artificial, enfeites de guirlandas e pisca-pisca enfraquecem a linguagem simbólica. São artificiais e não exprimem a vida que perpassa a celebração. Igualmente erra quem identifica os domingos do Advento com as cores das velas. Uma única cor lançará foco sobre a chama. Imagine-se que no escuro ninguém fica procurando vela amarela ou verde, mas procura acendê-la para obter a claridade.
 

A coroa só terá sentido se introduzida por um rito que explicite o seu sentido. Segue uma proposta:    Após a oração do dia (antes da primeira leitura), alguém entra com uma pequena vela acesa em direção à coroa. Todos cantam algum refrão do Advento. Sugestão: “Senhor, nós te esperamos. Senhor, não tardes mais. Senhor, nós te esperamos. Vem logo, vem nos salvar!”
 

Uma das velas da coroa é acesa, com a velinha que foi trazida. Em seguida, proclama-se um bendito: “Bendito sejais, Senhor Deus das promessas, porque nos iluminais com a luz do teu Filho Jesus, a quem aguardamos ansiosos no Natal. Amém!”
Encerra-se com o mesmo refrão que introduziu o rito.

 

Pe. Danilo César de Lima
Liturgista