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Os ritos iniciais e outros ritos celebrados com a Missa

Na celebração da Festa da Apresentação do Senhor, por exemplo, que não associa outro sacramento ou celebração, tem lugar nos ritos iniciais, o rito do lucernário

A celebração da Eucaristia pode ser associada a outros sacramentos e celebrações. Quando isso ocorre, existem modificações a serem feitas nos ritos iniciais. Tais modificações podem ser de substituição ou de supressão do rito. Além disso, algumas celebrações do ano litúrgico interferem na forma de celebrar os ritos iniciais, por exemplo, o Domingo de Ramos e a Paixão do Senhor, ou a Festa da Apresentação do Senhor. É isso que prevê a Instrução Geral do Missal Romano quando diz no final do artigo 46: “Em certas celebrações que, de acordo com as normas dos livros litúrgicos se ligam com a Missa, omitem-se os ritos iniciais ou são realizados de um modo próprio”.

É o caso da celebração da Eucaristia com Liturgia das Horas. Esta associação deve ser esporádica, “em casos particulares, quando as circunstâncias o permitirem” ( IGLH, 93). Infelizmente, muitas comunidades religiosas e de formação fazem disso uma prática ordinária… Contudo, quando acontece, pode-se optar pelo versículo introdutório e o hino nos dias de semana, ou pelo canto de abertura e procissão, sinal da cruz e saudação nos domingos e dias festivos (IGLH, 94). O ato penitencial é suprimido. Intercala-se a salmodia, após a qual pode-se fazer o “Senhor, tende piedade” (que não é ato penitencial). Depois disso, nos dias festivos e domingos, entoa-se o glória e conclui-se com a oração do dia.

Na celebração da Festa da Apresentação do Senhor, por exemplo, que não associa outro sacramento ou celebração, tem lugar nos ritos iniciais o rito do lucernário. Estamos diante de um caso típico de uma celebração estacional, pois o rito inicia-se fora da Igreja, onde se dá a benção das velas acesas. Em seguida, após a benção e exortação, todos caminham em procissão para a Igreja. Omite-se o ato penitencial e o Senhor, tende piedade. Canta-se o hino de louvor “Glória a Deus”. O rito é concluído com a oração do dia. Semelhante modificação se dá no Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, quando os ritos iniciais claramente tomam a forma de benção e procissão dos ramos. Em ambos os casos o elemento processional tem certa “parentela” com o ato penitencial, o que justifica a sua supressão. No caso do batismo de crianças, celebrado dentro da Missa, os ritos de acolhida da família à porta praticamente suprimem os ritos iniciais, conforme o Ritual do Batismo de Crianças. Já quando o matrimônio é associado à Missa, o presidente da Eucaristia acolhe os nubentes e omite o ato penitencial.

A sobreposição de celebrações pode resultar em algum prejuízo ritual quando, dela, se faz recurso frequente . Os ritos iniciais têm a sua importância, pois valorizam o sinal da assembleia, o seu mistério enquanto corpo místico de Cristo, a comunhão fraterna no amor, o caráter pascal da reunião dos fiéis, a preparação para bem celebrar a Eucaristia na mesa da Palavra e na mesa do Corpo e Sangue do Senhor. O que se diz a respeito da associação da Missa com o ofício (acima) pode orientar o bom senso da comunidade de não transformar essa possibilidade em uma prática rotineira.

 

Pe Danilo César
Liturgista