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Os aspectos de evangelização e as novas perspectivas para a prática pastoral

 

A Igreja tem a missão de evangelizar. Desde seu início, a Igreja sabe da necessidade de anunciar a Boa Nova, segundo a ordem de Jesus: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).

A Igreja sempre se preocupou em responder a essa nobilíssima vocação de ser portadora da Boa Nova e de ser sacramento universal de salvação (LG 48). Para tanto, no decorrer do tempo, criou estruturas e a paróquia é uma delas.

A paróquia, segundo o documento Christifidelis Laici, n. 26, “não é principalmente uma estrutura, um território, um edifício, é a família de Deus, como uma fraternidade animada pelo Espírito Santo de unidade (…). A paróquia se funda sobre uma realidade teológica porque ela é uma comunidade eucarística (…). A paróquia é comunidade de fé, e uma comunidade orgânica, na qual o pároco, que representa o bispo diocesano, é o vinculo hierárquico com toda a Igreja particular”.

 

Pensar a mobilidade urbana é organizar os usos e as ocupações da cidade e a melhor maneira de garantir o acesso das pessoas a bens que a cidade oferece; o mesmo deve acontecer com a evangelização

Com o passar dos anos, as paróquias, acostumadas a evangelizar em um ambiente rural (73% da população no passado vivia a maior parte do tempo dispersa nos campos e em contato com a natureza), estão tendo dificuldades de evangelizar o mundo urbano. Organizações comunitárias, formação de liderança, práticas pastorais, grupos de reflexão, quermesses e festas continuam totalmente indiferentes à cidade, à sua organização, aos símbolos, às suas culturas, às suas relações e ao seu desenvolvimento. O mundo continua visto e vivenciado como estrutura rural (para aprofundar melhor, ler Carta Apostólica Octogésima Adveniens, n. 8-12).

3 situações enfrentadas pelas paróquias hoje

1ª. A mobilidade urbana é um fenômeno das cidades que se refere à facilidade de deslocamento de pessoas e bens no espaço urbano. É uma realidade que afeta as estruturas paroquiais.

2ª. Os centros das cidades são realidades dinâmicas. É necessário entender o jeito da cidade e descobrir os seus valores para bem evangelizar.

3ª. Nos centros das cidades com deslocamentos de automóveis, ônibus, motos, bicicletas, o andar a pé, há estruturas adequadas para os deslocamentos das pessoas, mesmo sabendo da ineficiência dos serviços públicos.

Assim sendo, pensar a mobilidade urbana é organizar os usos e as ocupações da cidade e a melhor maneira de garantir o acesso das pessoas a bens que a cidade oferece. O mesmo deve acontecer com a evangelização a fim de se facilitar para os cristãos, que vivem no mundo urbano, a vivência em comunidade e a participação nos sacramentos. No mundo da mobilidade, é urgente a criação de novas estruturas pastorais, visto que muitas delas nasceram em outras épocas para responder às necessidades do âmbito rural (cf. DAp, 173).

Para responder a novas necessidades religiosas, além de se ter presente a eclesiologia do Vaticano II, é preciso fundamentar naquilo que o Código de Direito Canônico enfatiza: a dimensão comunitária da paróquia e os fiéis. No cânon 515 define-se: “a paróquia como uma determinada comunidade de fiéis, sob o cuidado pastoral do pároco como a seu pastor próprio em união com o bispo diocesano”. Por sua vez, o cânon 204 descreve os fiéis dessa comunidade com os seguintes termos: “incorporação batismal a Cristo, incorporados a Cristo pelo batismo, membros constituídos do povo de Deus e, participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo”. Diz ainda que são chamados “a exercer, segundo a condição própria de cada um, a missão que Deus confiou para a Igreja cumprir no mundo”.

 

A pastoral urbana não pode se contentar em pensar somente nos problemas que
a cidade levanta imediatamente Precisamos discutir a transformação da paróquia

O novo modo de ser cristão no complexo mundo das relações urbanas requer experiências eclesiais novas. Assim, além da comunidade paroquial como instituição de prestação de serviços religiosos, grupos de fiéis associados, comunidades e movimentos eclesiais devem ser estimulados a responder aos múltiplos desafios urbanos: a justiça nas relações de trabalho, o anúncio da palavra como fator de união e fé; a prestação de serviço em termos de acolhida e de assistência aos necessitados e desajustados do meio urbano. Mas é bom lembrar que a paróquia deve ser mantida como grande espaço, que possui significativa “força simbólica”, ponto de referência e animação da vida comunitária.

Orientação importante

Para evangelizar na cidade é preciso revisar as estruturas antigas e criar novas, adaptadas à mobilidade da cidade. Porém, a pastoral urbana não pode se contentar em pensar somente nos problemas que a cidade levanta imediatamente. Precisamos discutir a transformação da paróquia e o Documento de Aparecida aponta duas atitudes o ministro ordenado:

1. Ser autêntico discípulo de Jesus Cristo, porque só um padre apaixonado pelo Senhor pode renovar uma paróquia.

2. Ser um ardoroso missionário que vive o constante desejo de buscar os afastados e não se contenta com a simples administração (cf. DAp 201).

A paixão de ser discípulo missionário à frente de uma comunidade urbana fará com que o pároco seja suficientemente criativo para encontrar meios diferenciados e novos seja para evangelizar a cidade, seja para evangelizar o meio rural.

 

Dom Edson Oriolo
Bispo Auxiliar na Arquidiocese de Belo Horizonte/MG, Mestre em Filosofia Social, Especialista em Marketing, Pós-Graduado em Gestão Estratégicas de Pessoas, Professor, “Leader and Professional Coach” pela Act Coaching Internacional