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Obra social oferece biblioteca comunitária

As comunidades de fé que constituem a Paróquia São Marcos, na Arquidiocese de Belo Horizonte, oferecem aos mais necessitados serviços sociais  que vão desde a doação de alimentos à qualificação profissional e formação artístico cultural.  Entre as obras, chama atenção a biblioteca comunitária, com acervo de cinco mil livros. Uma iniciativa espontânea que foi tomando forma com o passar dos anos e o crescimento da Paróquia que abrange os bairros São Marcos, Eymard, Ipê e Maria Goretti.  

A bibliotecária e educadora social, Grace Santos, conta que no princípio a biblioteca  funcionava no bairro Eymard. Os livros eram guardados em locais improvisados, até em sacolas. O objetivo era – como é até hoje – disseminar o gosto pela leitura entre a população. Com a construção do Centro Cultural-pastoral no bairro Maria Goretti, a biblioteca ganhou espaço físico e começou a funcionar com ajuda de pessoas voluntárias. A população tem acesso ao acervo às segundas, quartas e sextas-feiras durante todo o dia.
 
 

Além do impacto positivo no desempenho escolar, as relações familiares e sociais de quem passa a se interessar pelos livros melhoram muito

A frequencia é alta, graças às estratégias para atrair, principalmente, o público infantojuvenil.  Por mês, são 400 frequentadores.  A realização de oficinas de  produção de textos e leitura, além das  sessões com narradores e contadores de histórias, tem despertado o interesse das crianças, e até dos adultos pelos livros.

‘Sou educadora social e sempre falo nas aulas que a mãe que não contou histórias para os filhos, dificilmente terá um filho leitor. E a gente pode perceber essa realidade quando, em uma aula, se pede aos pais que leram histórias para os filhos, que levantem a mão. Ninguém se move. São pessoas que não têm tempo para isso’, conta Grace Santos.

Despertar a criatividade e a curiosidade das crianças, de modo que tenham interesse pela leitura, exige estratégia. ‘Pedimos que elas modifiquem o final de uma história, depois de  lerem ou ouvirem o texto original. A outros oferecemos periódicos, que são as revistas em quadrinho. Assim, vamos trabalhando e colhendo frutos, tudo é muito gratificante. Nosso trabalho como cidadãos que atuam numa biblioteca é levar esse estímulo às pessoas’, conta a educadora social.

A maioria dos voluntários da biblioteca já atingiu a terceira idade e faz dos livros seus companheiros

Grace Santos afirma que além do impacto positivo no desempenho escolar, as relações familiares e sociais de crianças e adultos que passam a se interessar pelos livros melhoram  muito, porque desenvolvem a comunicação. Especialmente as crianças, muito ligadas ao computador,  tornam-se mais pacientes ao desvendar o universo da leitura. ‘Além disso, todo aquele que lê faz melhores escolhas na vida’, afirma.

Quanto aos idosos, a leitura os ajuda a se livrarem da  solidão. A maioria dos voluntários da biblioteca já atingiu a terceira idade e, segundo a educadora, faz dos livros seus companheiros.

Doar livros: gesto de solidariedade e cidadania 

A maior parte dos livros é proveniente de doação, mas também algumas aquisições são feitas por meio de parceria, conforme revela Grace Santos.  Segundo ela, projetos conjuntos com ONGs e instituições privadas como editoras e empresas, possibilitam a compra de livros  a preços mais acessíveis.  ‘Obras literárias que são pedidas para o vestibular, por exemplo, precisam  ser compradas, pois o alunos de menor poder aquisitivo dependem das bibliotecas e  nessa época esses livros desaparecem’, observa.

Os livros que recebemos e, também os que compramos, passam por uma triagem, pois há livros superados, com grafia antiga ou livros doentes. Estes, contaminam os novos, com mofo e outros organismos que deterioram o papel. Mas, a maioria dos que recebemos está em boas condições de uso.

As pessoas que desejarem participar desta obra, doando livros, podem ligar para 3432 1080, ou entrar em contato pelo e-mail  grace.pp@hotmail.com.