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Fazendo uma leitura atenta do primeiro capítulo do Gêneses, podemos observar uma variedade de verbos que são utilizados para falar da ação criadora de Deus: Ele, enquanto sujeito de ação, cria, diz, vê, faz, abençoa, santifica e, por fim, repousa. Por meio da palavra criadora, vai surgindo sua vontade. A criação dos animais se dá segundo sua espécie (Gn 1,11.12.21.24.25). Mas a criação do ser humano ocorre de modo especial, à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,16-17). Tudo o que é criado é bom, porque tudo o que Deus cria é bem supremo.

 

A forma como Deus cria todas as coisas, deixando o ser humano por último, revela que o itinerário adotado é o de começar do menos perfeito ao mais perfeito. O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus é considerado, segundo o salmo 8,6, “um pouco inferior a Deus”. Tem por finalidade ser um represente de Deus diante de toda a criação. Nesse sentido, onde está um ser humano pode-se dizer que Deus se faz representar por ele. Na palavra dita em Gn 1,1-2,4a encontramos um desígno de Deus, quando o cria à sua imagem e semelhança, o abençoa e e atribui ao ser humano a missão de preservar a espécie.

 

Deus que é amor, vive em si mesmo o mistério de comunhão pessoal de amor. Criando o ser humano à sua imagem e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação, e juntamente com ela, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão. Assim, o ser humano é criado para amar e ser amado. Através de sua consciência, ele descobre uma lei escrita em seu coração, uma lei que não lhe é imposta, mas que ele próprio se sente chamado a obedecer, por uma voz que está sempre o conduzindo a amar o bem e a se distanciar do mal. Graças à essa consciência revela-se a lei que se realiza no amor de Deus e do próximo.

 

Assim, criado no amor e para o amor, o ser humano – homem e mulher – é chamado para a abertura aos outros, pois só assim se realiza: na medida em que existe com alguém e para alguém. Constituído ser social, por sua própria natureza, não pode viver e nem desenvolver as suas qualidades sem relacionar-se com os outros. E é nessa relação de amor que todas as ações humanas são submetidas e sublimadas pela capacidade de amar como Deus ama.

 

Desse modo, quanto mais prevalece a reta consciência, tanto mais as pessoas estarão longe da arbitrariedade cega, procurando conformar-se ao amor de Deus e assemelhar-se ao seu agir. Assim, são chamadas ao desafio de se unir a Deus com todo o seu ser na perfeita comunhão, vitória que somente o Cristo ressuscitado alcançou, libertando o homem da morte com a própria morte. O ser humano, no amor de Cristo, conforma-se à imagem do Filho, recebe as primícias do Espírito Santo, e torna-se capaz de cumprir a lei nova do amor. Tudo isso acontece por Ele, o Cristo, que nos revelou o amor do Pai.

Neuza Silveira de Souza

Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética da Arquidiocese de BH

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