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Seria melhor se as aflições pudessem ser atribuída a um só evento. Ou a causa única. Ou mesmo a culpado determinado. Mas não. O desastre atual foi construído metódica, insistente, e laboriosamente.
Mediocridade, como subdesenvolvimento, requer tempo, persistência e, na falta de melhor palavra, talento para, diante de muitas opções, escolher sempre as erradas.

Não houve encruzilhada fatal onde o rumo errado foi tomado. A verdade, é que a cada curva, não se desperdiçou a oportunidade de escolher o pior. Invariavelmente tomando o caminho fácil no curto prazo, mas desastroso no futuro.

E futuro tem estas coisas. Um dia chega. Se transforma em presente. Cobra ou recompensa as ações e decisões passadas. Transforma em preço e custo as oportunidades perdidas.

Talvez pudéssemos ter construído um presente melhor. Bastaria investir na solução dos problemas  que todos nós sabemos ser importantes. Todos estão carecas de saber que educação é importante. Que o estado é ineficiente. Que o serviço público é trágico. Que os impostos são altos. E muito mais.

Ninguém discorda do diagnóstico. Apenas o aceita como fatalidade autoimposta. Não deixa de ser irônico que o consenso sobre necessidades não gere consenso (ou até mesmo debate) sobre as suas soluções.

Sinal de mediocridade. Ou de tempos de mediocridade. Época em que governos fingem que governam enquanto desgovernam. Época de oposição que não opõe. Época de eleitores que procuram desesperadamente por candidatos. Época de votos órfãos.

 

Elton Simões
Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV);
MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria)