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O Mistério Pascal de Cristo

O Mistério Pascal de Cristo nos aponta o querígma de fé, com suas fórmulas principais nos escritos bíblicos, iniciando-se com os escritos paulinos. Sua originalidade é encontrada em 1Cor 15,3-7. Ele diz: “Transmiti-vos aquilo que eu mesmo recebi”.  É a transmissão da palavra viva do evangelho – Jesus Cristo: “Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas e depois aos doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto alguns já adormeceram”.  Esse é o primeiro anúncio, o querígma, constituído de expressões que fazem parte das nossas profissões de fé, o Credo. Viver a Boa Nova é crer na ressurreição do Cristo e ela deve ser anunciada e proclamada para que todos creiam.

Todos os aspectos da mensagem cristã e da fé que lhe corresponde só têm sentido em relação com a realidade central: o Cristo ressuscitado, pois o que apaga o pecado é a vida nova, a participação na vida de Cristo ressuscitado, vida ressuscitada na justiça e no amor.

O querígma significa proclamação ou anúncio. É o anúncio da “Boa-Notícia”.  E o anúncio feito pelos Apóstolos é a primeira proclamação da Boa-Nova do acontecimento Jesus de Nazaré, realizado na força do Espírito Santo. Está baseado no testemunho pessoal deles. Esse anúncio tem por objetivo suscitar a fé e a conversão a Cristo. Assim, comunicar a Boa-Nova da salvação com alegria e confiança é fazer pastoral. Com esse primeiro anúncio se abre a porta de entrada da experiência cristã. A nossa Igreja abre a porta para a pertença na vida do Cristo ressuscitado pelo Batismo.

Todos podem ver os sinais de Deus, mas a fé ajuda a entendê-los e a perceber seu sentido. Cada experiência de vida nos conduz em direção ao mistério

Com o batismo somos sepultados com Cristo e morremos, para que, assim como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, também caminhemos em nossa vida. Pois se chegamos a ser uma mesma coisa com Ele, por uma morte semelhante à sua, também o seremos por uma ressurreição parecida. E se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele.

Em várias citações bíblicas encontramos as fórmulas principais do mistério pascal, como elaboração do querígma. Podemos fazer uma visitação aos textos da Bíblia, passando por Romanos 6, 1ª Carta aos Coríntios 15, 2ª carta aos Coríntios 4, Filipenses 3, Efésios 2, Efésios 5, Colossenses 2 e 3. Também encontramos a pregação querigmática do Mistério Pascal nos Atos dos Apóstolos: pregações de Pedro em At. 2,22-24; 3,15-16; 5,30-32; 10,37-43) e pregações de Paulo em: At. 13,27-37 e 17,31.

Deus não se cansa de olhar para nós. Ele é fiel ao ser humano que criou e redimiu. Ele nos ama e permanece sempre conosco. Seus sinais estão presentes nesta nossa realidade de vida e para enxergá-los precisamos ter fé. Todos podem ver os sinais de Deus, mas a fé ajuda a entendê-los e a perceber seu sentido. Cada experiência de vida nos conduz em direção ao mistério; cada desejo faz eco de um desejo fundamental que jamais será satisfeito.

Nas nossas catequeses somos chamados a anunciar Jesus Cristo. Assim, somos desafiados a apresentar e ajudar a amadurecer uma fé consoante ao projeto de Jesus de Nazaré. Um projeto dele e não nosso.  A experiência de Deus é conteúdo de nossa prática catequética. É tarefa do catequista e/ou evangelizador ouvir, escutar com presteza as pessoas (catequizandos, catecúmenos, neófitos, ou seja, a comunidade como um todo), ajudando-as a interpretar sua vida sob o olhar da fé, dando-lhes testemunho da própria fé.  Além dos sinais da vida pessoal de cada um, o conhecimento da realidade à nossa volta é fator primordial.

Que toda essa ternura de Deus nos invada e transborde de nossos corações para a vida de misericórdia junto aos irmãos

Deus não apenas se revelou na história de um povo, não só falou por meio dos Profeta. Ele atravessou o seu Céu para entrar na terra dos homens como homem, para que pudéssemos encontrá-lo e ouvi-lo. Somos chamados a estar atentos a essa realidade onde também Deus habita e nela mergulhar com o olhar da fé, em atitude de discernimento.

Um critério essencial para discernir a experiência de fé consiste em acolher a vontade de Deus nos acontecimentos da vida. Mas fazer a vontade do Pai não significa deixar as coisas acontecerem passivamente, e sim lutar com as forças de que dispomos para transformar e conduzir as situações da melhor maneira. Uma delas é o diálogo. Perceber a ação de Deus na vida é a arte de quem aprende a dialogar com Ele.

A comunicação de amor entre o Pai e o Filho é o Espírito Santo. Jesus nos comunicou esse espírito. O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado, fazendo com que a ternura, a compaixão e a misericórdia de Deus nos envolvam. Deixemos que toda essa ternura de Deus nos invada e transborde de nossos corações para a vida de misericórdia junto aos irmãos.
 


Neuza Silveira de Souza

Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética de BH