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O cristianismo, assim como o judaísmo, raiz da nossa religião, se apresenta como um campo simbólico onde cada um  dos símbolos carrega consigo sua fundamental importância. Para nós cristãos católicos, torna-se impossível imaginar nossa religião sem os símbolos da cruz, velas, incenso, pão, vinho, água abençoada, óleos, imagens, etc.

Através dos símbolos produzimos em nosso imaginário um caminho de fé para responder ao convite de Deus de viver em comunhão com Ele, bem como realizarmos o seu desejo de que tenhamos uma vida feliz. Chamam-nos à profundidade do mistério despertando em nós a vontade de ir ao seu encontro e nele permanecer.

Nesse sentido, ser batizado é fazer uma opção de vida, optar por Jesus Cristo, viver, julgar, agir, amar como ele. O Batismo, no início da prática da vida cristã pelas primeiras comunidades, e por um longo tempo, era ministrado aos adultos. O batismo de criança, até o século quinto era considerado exceção. Quando começa a fazer os batizados de crianças, os pais sempre foram chamados à responsabilidade e a compromisso de percorrer junto com os filhos esse itinerário de fé até a sua idade adulta.

Mas o que é o batismo?

Hoje vamos começar pela água que é benção e vida para nós. Pela água, um dos principais símbolos do Batismo, somos introduzidos na vida do Cristo, embora não esqueceremos do óleo, da luz, da cruz, das vestes brancas, símbolos estes que evocam experiências de pessoas, ajuda a refletir, silenciar, interiorizar. No seu sentido sagrado, os símbolos têm o poder de representar, no seu aspecto sensível, realidades invisíveis. Isto quer dizer para nós que o símbolo tem em si o seu significado escondido, ou seja, um mistério que nos transporta para aquilo que os olhos não podem ver. As coisas que não se vêm  são maiores do que as que se vêm, porque as que se veem são temporais, as que não se veem são eternas.

Batismo – integrar-se à vida do Cristo

Quando participamos de uma celebração batismal nossos olhos  enxergam tudo o que está acontecendo, isto é, se realmente estivermos prestando atenção ao ato que está sendo realizado. O que nós não podemos ver, porém, é o que se está produzindo, ou seja, o que o batismo produz em nós.

Olhando para o sentido sagrado da água, sentido este encontrado na Bíblia, vamos perceber sua grande importância. Buscando o seu significado na Palavra de Deus.

Desde as origens, na criação, a água já estava lá e por meio dele o Espírito Santo já agia. O Espírito plainava sobre as águas. Ele agia na elaboração do mundo, uma vez que o profeta diz: Pela  Palavra do Senhor, foram estabelecidos os céus e pelo sopro de sua boca, todo o poder deles.

No decorrer da história Deus viu que o povo se corrompeu e mostra como que a impureza da carne e a mancha do pecado mais grave afastam a graça Espiritual. Querendo restaurar o que havia dado, preparou o dilúvio e ordenou a Noé que subisse para a arca.

Quando o dilúvio cessou, Noé soltou primeiro um corvo que não voltou; em seguida, soltou uma pomba que, conforme as Escrituras, voltou, trazendo um ramo de oliveira. Tu vês a água; vês o lenho; enxerga a pomba ; e duvidas do mistério? Pergunta um padre que está explicando a catequese para seus catequizandos. E ele mesmo responde: é a água, na qual o corpo é imerso para se apagar o pecado carnal. Enterra-se aí tudo o que foi pecado. O lenho é aquele, no qual foi pregado o Senhor Jesus, quando sofreu por nós. A pomba é aquela, sob cuja aparência desceu o Espírito Santo, como aprendemos no Novo Testamento e o corvo é a figura do pecado, que se afasta e não volta, contanto que perseveremos na observância do que é justo aos olhos de Deus.

Assim, Através do lenho, visível, o mistério nos aponta para a cruz de Cristo que nos deu a redenção; Através da pomba temos a aparência da descida do Espírito Santo sobre Jesus, no Jordão, quando foi batizado. Na figura do corvo que vai embora e não retorna temos a figura do pecado. Assim a água é o elemento visível que, santificada pelo Espírito, produz sua eficácia de salvação.

Desceu o Cristo até o rio Jordão. João Batista lá se encontrava batizando. E eis que o Espírito Santo desceu como uma pomba, ou seja, sob a aparência dela. João viu e acreditou.

E nós? acreditamos na descida do Espírito Santo que santifica a água batismal  e nos dá a redenção, fazendo de nós morada sua?

Muitos outros acontecimentos estão na Bíblia que nos ajudam a perceber e adentrar no mistério da nossa fé e ter pertença na vida do Cristo. Com o seu Batismo, Ele instituiu o Batismo para nós, pois ele mesmo não necessitava de purificação de pecados, porque não fez pecado. Mas nós necessitamos da graça do Batismo, porque continuamos sujeitos ao pecado. Se o batismo existe para nós, seu rito foi proposto à nossa fé, e por isso precisamos de receber o Batismo, sermos tocados pelo Espírito e inseridos em Jesus Cristo.

Creiamos que Cristo desceu para a água, o Espírito Santo baixou como uma pomba. O Pai falou do céu. Estamos em presença da Trindade.


Neuza Silveira de Souza

Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética