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O Mês do Dízimo – artigo de Dom Edson Oriolo, bispo auxiliar da Arquidiocese de BH

 

 

Evangelizar é vocação essencial da Igreja que cumpre o mandato de Jesus: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a todas as pessoas” (Mc 16, 15).

A fim de anunciar a boa nova do Reino, a Igreja no Brasil intensifica seu trabalho evangelizador em tempos fortes como o advento e a quaresma, pela Campanha da Fraternidade e pela Novena do Natal, bem como com os meses temáticos: mariano (maio); vocacional (agosto); bíblico (setembro) e missionário (outubro).

Seguindo esta linha motivadora, algumas dioceses, paróquias e comunidades eclesiais também estão dedicando um mês para a conscientização sobre o dízimo. Nesta ocasião, é feita uma verdadeira mobilização entre os católicos a fim de que percebam a importância do dízimo no processo de evangelização.

No mês de abril, fui convidado pela diocese de Umuarama (PR) a fim de assessorar um encontro de agentes justamente sobre o tema “Evangelização e Dízimo”. Esta diocese paranaense tem uma longa caminhada na prática do dízimo, desde que, em 1974, os bispos do Brasil, reunidos em Itaici, depois de vários estudos, decidiram orientar as dioceses sobre a prática do dízimo.

A diocese de Umuarama, criada um ano antes, em 1973, abraçou em cheio essa proposta e foi uma das primeiras a efetivá-la, orientando os fiéis sobre o sentido do dízimo e sua conveniência.

Um grande passo foi dado, em 1978, com o lançamento da Carta Pastoral sobre o Dízimo, pelo então bispo diocesano, Dom José Maria Maimone (hoje, emérito). Logo em seguida, no dia primeiro de janeiro de 1979, um outro passo fundamental: a implementação, em toda a diocese, do sistema do dízimo.

Na época, foi tomada uma decisão firme e corajosa: abolir todas as taxas para sacramentos. Assim estabelecia o Plano de Pastoral Diocesano de 1979: “A partir dessa data (1º de janeiro de 1979), todas as despesas ordinárias da paróquia deverão ser atendidas pelo dízimo, que será praticamente a única arrecadação, uma vez que passa a ser expressamente proibido receber qualquer oferta por ocasião da administração dos sacramentos”.

Pelo seu pioneirismo e também com a publicação da Carta Pastoral sobre o Dízimo, a diocese de Umuarama tornou-se uma referência na questão do dízimo no Brasil. Transcorridos 30 anos de vivência do dízimo, ela continua tendo muito a nos ensinar. Foi o que constatei, saindo do Sul de Minas e trabalhando lá com os agentes. Mais do que ensinar, tive a satisfação de aprender muito com a rica história da pastoral do dízimo em Umuarama. Foi uma grata surpresa!

Consegui descobrir cinco ramos novos de uma semente lançada, há tantos anos, com muito amor, carinho e dedicação pelas coisas de Deus.

Uma iniciativa muito feliz na diocese é a criação do mês dedicado ao dízimo.

 

Partilho cinco procedimentos aprendidos lá para uma verdadeira mobilização sobre o mês do dízimo: 1) A escolha de um tema e um lema a serem aprofundados; 2) A formação dos presbíteros; 3) O treinamento dos agentes; 4) A criação de uma estrutura eficiente de orientação dos agentes da Pastoral do Dízimo e 5) Elaboração de subsídios para as paróquias e comunidades sobre o mês do dízimo.

1- A escolha de um tema e um lema a serem aprofundados

A coordenação da Pastoral do Dízimo juntamente com o seu assessor, padre Carlos Gomes, depois de muita oração e estudo, escolheu um tema “Feliz Quem Sabe Partilhar” e um lema: “Semeadura mesquinha, colheita mesquinha; semeadura generosa, colheita generosa” (cf. 2 Cor 9,6).

A Pastoral do Dízimo confeccionou cartazes, adesivos, faixas etc….Todos os elementos de anúncio-linguagem: cores, fotos, ilustrações, título, texto bem legível, frases de efeitos foram pensados para atrair duas vezes mais a atenção do leitor. A identidade visual, o logotipo em cores definidas, o material promocional e a frase que resumia a missão do trabalho foram bem elaborados. Uma excelente ferramenta de evangelização e mobilização!

2- A formação dos presbíteros

O clero, desde o início, discutiu em reuniões os objetivos, as metas e as estratégias da mobilização no mês do dízimo. A formação e a informação do clero para o comprometimento do mês dedicado ao dízimo é um critério importante na conscientização. O Concilio Vaticano II estabeleceu o sacerdócio ministerial a serviço do sacerdócio comum dos fiéis, e cada um, ainda que de maneira qualitativamente diferente, participa do único sacerdócio de Cristo (cf. LG 10). O presbítero deve estar comprometido e ser um incentivador das ações de evangelização na vida da paróquia e das comunidades eclesiais. “Todo Sumo Sacerdote é tomado dentre os homens e colocado para intervir a favor dos homens em tudo o que se refere ao serviço de Deus” (Hb 5,1).

3- O treinamento dos agentes da Pastoral do Dízimo

O treinamento dos agentes propõe temas a fim de que os mesmos possam vivenciar seu ministério na Igreja de Jesus Cristo. Além de temas como: aplicações de análises estratégicas para o dízimo, cenário do dízimo paroquial, ferramentas básicas para a pastoral do dízimo, endomarketing na pastoral do dízimo, também há um espaço de convivência e de humanização. Uma ferramenta qualitativa no treinamento é que todos podem descobrir a grande necessidade de saber escutar e descobrir os desejos e necessidades dos paroquianos. O ser humano tem uma gama variada de necessidades e os seus desejos são totalmente particulares. Os desejos que não estão embasados em necessidades são fugazes e não constituem bases permanentes para a realização de qualquer ação.

4- Uma estrutura eficiente de orientação dos agentes da Pastoral do Dízimo.

A coordenação da Pastoral do Dízimo criou uma excelente estrutura de orientação dos agentes: contato pessoal; contato postal, via correio com envio de correspondência; contato telefônico; internet e correio eletrônico. Os assessores demonstram disponibilidade e tempo para atendimento dos agentes. Há um verdadeiro intercâmbio entre bispo, padres, agentes da Pastoral do Dízimo, dizimistas, forças vivas das paróquias e das comunidades eclesiais.

5- Subsídios para as paróquias e comunidades sobre o mês do dízimo.

A equipe central da Pastoral do Dízimo oferece aos agentes subsídios para sensibilizar e conscientizar os paroquianos no mês do dízimo. É um rico material didático para os agentes desempenharem seu ministério na evangelização com o dízimo. São folhetos com textos bíblicos e excelentes testemunhos de experiência dizimal vivenciados nas paróquias. Além disso, são disponibilizados slides, livros de cânticos sobre o dízimo, orações, Cd com partituras, palestras, etc…

O exemplo da diocese de Umuarama pode ser um forte estímulo para muitas outras dioceses, paróquias e comunidades implementarem e organizarem o mês do dízimo como um excelente meio de evangelização.

 

 

 

Dom Edson José Oriolo dos Santos é bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, mestre em Filosofia Social pela PUC Campinas, especialista em Aristóteles, pela Unicamp, e em Marketing, pela Universidade Gama Filho. Também pela Universidade Gama Filho, é pós-graduado em Gestão de Pessoas.

 

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