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O lugar de Deus é sempre entre os últimos

“Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos o observavam. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola: “Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado” (…). (Do Evangelho do 22.º Domingo do Tempo Comum, Lucas 14, 1.7-14)

Nosso Senhor Jesus Cristo surpreendia os bem-pensantes: era um rabino que gostava dos banquetes, apreciava estar à mesa, ao ponto de ser chamado «glutão e bebedor de vinho, amigo de pecadores» (Lucas 7, 34); fez do pão e do vinho os símbolos eternos de Deus, que faz viver, do comer juntos, uma imagem feliz e vital do mundo novo.

Dizia aos convidados uma parábola, notando como escolhiam os lugares mais importantes. Os fariseus: tão devotos, tão austeros em relação à aparência, e por dentro devorados pela ambição. Jesus critica-os, citando um passo famoso, extraído da antiga sabedoria de Israel: “É melhor que te digam: “Sobe para aqui” do que seres humilhado diante de um príncipe” (Provérbios 25, 7).

Dizia: quando fores convidado, vai para o último lugar, mas não por humildade ou por modéstia, mas antes por amor: coloco-me depois de ti porque quero que tu sejas servido antes e melhor. O último lugar não é uma humilhação, é o lugar de Deus, que «começa sempre pelos últimos da fila» (S. Orione); o lugar daqueles que querem assemelhar-se a Jesus, que veio para servir, e não para ser servido.

Jesus reage à eterna corrida aos primeiros lugares opondo «a estes sinais do poder o poder dos sinais». Uma expressão de Dom Tonino Bello, bispo italiano e ex-Presidente da Pax Christi,  que ilustra a estratégia do Mestre: vai para o último lugar, não por um sinal de indignidade ou de desvalorização de ti, mas por sinal de amor e de criatividade. Porque gestos destes geram uma reviravolta, uma inversão de rota na nossa história, abrem o caminho para um modo de habitar a Terra totalmente outro. Acolhe aqueles que ninguém acolhe, dá àqueles que nada te podem restituir. E serás feliz porque não têm o que te dar em troca (1).

 

Pe. Inácio José do Vale
Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas
Irmãozinho da Fraternidade da Visitação de Charles de Foucauld
E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com