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É Natal. O tempo do Advento que percorremos até aqui nos favorece o encontro com Cristo que veio, vem e que virá glorioso. Esse tempo desperta nossas sensibilidades, nos tornam vulneráveis às coisas de Deus e mais abertos e acolhedores para as necessidades dos outros. É nesse caminho que procuramos entender o despojamento de Jesus por todos nós. Pode-se constatar que é nesse nascimento, a encarnação de Jesus, o lugar onde acontece o grande despojamento de Deus. Isso, muitas vezes, fica esquecido. Fala-se mais em presentes, em roupas elegantes, vê-se o Natal como período de férias para viajar em busca de lugares bonitos e esquecemos-nos do próprio sentido do natal.

O “espírito natalino” nos propõe um exame de consciência.

Vejamos o que nos ensina São Paulo, em Filipenses: “Ele, existindo em forma divina, não considerou como presa a agarrar o ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano” (Fl 2, 6-7).

Podemos também ver a proclamação de São Paulo em sua carta aos Gálatas: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher”. Esse é o grande presente de Natal para nós.  Deus que quis nascer e crescer em uma família como nós, fazendo-nos caminho de encontro com a humanidade.

São João, ao iniciar o Evangelho, diz: “E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós. Nós vimos a sua glória, glória como do filho único da parte do Pai, em plenitude de graça e de verdade” (Jo, 1,14). Jesus é a luz verdadeira que vindo ao mundo a todos ilumina” (Jo 1,9).

Ao preparar o nascimento de seu Filho, Deus enviou seu mensageiro a Maria, uma jovem de Nazaré, que o acolhe com alegria e assume seu compromisso com Deus. Ela se faz serva do Senhor colocando-se disponível segundo a sua Palavra. Assim diz: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra”. É o Evangelho de Lucas que nos fala desse mistério e descreve a intervenção de Deus junto à humanidade (Lc 1,26-38).

Continuando no Capítulo 2, versículos 1-21, Lucas narra a experiência do nascimento do verbo encarnado. “José subiu da Galileia à Judéia com sua esposa Maria, que estava grávida. “Ali, completaram-se os dias. Ela deu à luz seu filho e envolvendo-o em faixas colocou-o em uma manjedoura, porque não tinham encontrado hospedagem naquele lugar”.

Assim,  o Natal é para nós: renascimento. É assumirmos o compromisso de deixar-nos entranhar pelo mistério da encarnação. É deixar Deus se aproximar e realizar sua vontade por meio de nós. É deixar a Palavra de Deus encarnar em nossas vidas, em nossos corações. É renascer com Jesus, pois Deus torna-se assume sua humanidade em Jesus. Essa deve ser a base da experiência do nosso viver.

 

Neuza Silveira de Souza
 Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética de BH