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O diferencial da misericórdia

Cirlene Ferreira: “É preciso visualizar, com amor e solidariedade o outro lado,  onde estão  o sofrimento material, afetivo e espiritual”

A Arquidiocese de Belo Horizonte realiza um importante trabalho junto aos mais necessitados, por meio da Central de Acolhida,  que integra o Vicariato Episcopal para a Ação social e Política. O serviço foi estruturado em 2006 para acolher pessoas em situação de risco social.

O Arcebispo Metropolitano, dom Walmor Oliveira de Azevedo, vivenciou, de maneira positiva, experiência semelhante na Arquidiocese de São Salvador, na Bahia, onde atuou como bispo-auxiliar. Oportunamente, implantou o serviço em  Belo Horizonte para atender às demandas materiais e de evangelização , proporcionando  meios para que os beneficiados resgatassem a dignidade, sendo protagonistas da própria vida.

No primeiro ano de funcionamento, a Central de Acolhida realizou seis mil atendimentos. Em 2009, a média  chegou à casa dos dez mil. Dois anos depois, o número  saltou para mais de 12 mil e, em 2012 ,  ultrapassou a 16 mil atendimentos.  Este ano, a média é de  40 atendimentos diários. 
 

A Central de Acolhida apenas conduz
o trabalho deixando
o livre arbítrio
para que o
cidadão possa
escolher o que for melhor para ele
.

Nesse contingente expressivo de pessoas necessitadas estão  dependentes químicos, moradores de rua, vítimas de  violência doméstica, famílias em estado de vulnerabilidade social, crianças , adolescentes, e idosos vítimas de abandono e maus tratos. O serviço  funciona como  uma espécie de centro de triagem que encaminha as pessoas para as pastorais da Arquidiocese, monitorando e acompanhando os atendimentos.

Conforme a coordenação da Central de Acolhida, a metodologia utilizada está estabelecida em dois eixos. O primeiro, promover o atendimento da demanda de maneira pontual. Por exemplo, se um morador de rua não é de Belo Horizonte e deseja retornar para junto da família ou para um local onde tenha mais estabilidade, a Central providencia o deslocamento. Por meio desse trabalho, segundo Cirlene  Lima Ferreira,  coordenadora de projetos, muitos moradores de rua já conseguiram resgatar os laços familiares. O Segundo eixo é fazer com que as pessoas atendidas sejam protagonistas de suas vidas, o que é feito procurando ressaltar as potencialidades de cada um.

 
Morar com dignidade

 

Condições dignas de moradias para 50 famílias necessitadas

Cirlene, que também é representante da Arquidiocese de Belo Horizonte e presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, explica que  o acolhimento começa com  uma escuta meticulosa  que orienta todo o processo de reinserção social. “A equipe de voluntários e funcionários da Providencia Nossa Senhora da Conceição vai até onde a família está, para tomar conhecimento das  necessidades e ajudar  no processo de definição  de prioridades. “Primeiro, procuramos  resolver o que é urgente. Depois, trabalhamos em conjunto para que a reinserção social garanta dignidade e qualidade de vida”. 

 

Em 2012 a Central de Acolhida recuperou 50 moradias de modo a dar condições dignas de vida às famílias. Segundo Cirlene, essas pessoas, até então,  viviam a insegurança de morar em casas vulneráveis às mudança climáticas mais intensas como chuva, vento e frio.  “A renda dessas famílias não chegava a  meio salário mínimo”, observa. 

 

Solidadriedade e cuidado com doentes acamados

 

A presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos atribui as conquistas  ao “olhar solidário “ da Igreja,  que ela considera importante diferencial  em relação aos atributos exclusivamente técnicos, levados em conta  por outras  instituições. “O olhar da misericórdia vence as barreiras. É preciso visualizar, com amor e solidariedade o outro lado.  Aquele  onde estão a ausência de formação pessoal e  profissional, o sofrimento material, afetivo e espiritual. É muito gratificante”, afirma.
 

Voluntários organizam donativos  para serem distribuídos aos mais necessitados.

Pessoas acamadas que se encontram em casa e precisam de cuidados especiais também são beneficiadas pela Central  que  fornece  medicamentos, produtos de higiene e de limpeza. Os agentes articulam uma rede de proteção social envolvendo vizinhos, o comércio da região e os postos de saúde. “Essa articulação é necessária, pois as pessoas têm boa vontade, mas não  são preparadas profissionalmente para cuidar de doentes e nem podem arcar com os custos materiais pois, a maioria não usufrui de situação privilegiada”, observa Cirlene Ferreira.  

O retorno positivo dessa mobilização pelos mais necessitados, de acordo com a Coordenadora da Central de Acolhida,  acontece quando a instituição começa a receber as mesmas pessoas  às quais deu suporte, em outra condição. Elas retornam para ajudar.  Fazem doações, trabalham como voluntárias e dão o incentivo aos que chegam fragilizados, mostrando que é possível vencer os desafios da vida.