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O desafio de levar o Evangelho ao jovem

 O futuro da Igreja depende de como se evangeliza a juventude. Estávamos a pensar que ela dormia tanto na sociedade como na Igreja. E que, portanto, não definiria o futuro de uma nem de outra. As mobilizações da terceira semana de junho vieram mostrar outra face da juventude. Ela acordou. 
 
O Brasil fazia já 21 anos que não conhecia tal movimentação. Houve momento simbólico em que uma jovem de 17 que participou da passeata dos caras-pintadas por ocasião do impeachment do Presidente Collor, em 1992, trouxe para a mobilização a filha de 17 anos. Duas gerações se encontram na mesma inquietação.
 
A pergunta, ao voltar-se para a Igreja, quer saber se ela tem algo a dizer para tal juventude. Consegue desenvolver pastoral que responda aos jovens engajados da nova onda? Ou se prende unicamente àqueles que fazem parte de movimentos religiosos em outro horizonte de problemas e anseios?
A evangelização não vem combater diretamente a obra do mal, mas opor-lhe notícia nova tão bela que atraia as pessoas e as afaste do mal  
Tivemos até a década de 60, a maravilhosa experiência da Juventude Escolar Católica (JEC) e da Juventude Universitária Católica (JUC) que terminaram sendo dissolvidas e desapareceram do quadro pastoral.  Os jovens daquele momento engajaram-se na política estudantil e não faltaram os que chegaram até a participar de grupos revolucionários. Pagaram alto preço de vida, de tortura e alguns de morte.
 
O momento seguinte coube ao estilo cursilhista de conduzir a Pastoral da Juventude (PJ). Multiplicaram-se os encontros, os grupos de jovens. No entanto, não suportaram o desgaste do tempo, por terem valorizado muito o emocional. Este lado aquece tão rápido, como esfria. 
 
Agora a PJ vive mais da Renovação Carismática e movimentos semelhantes. Há poucos que assumiram compromisso sério com o mundo social e político. Respondia-se a uma juventude desinteressada e desiludida da política, atividade vista como corrupta e inútil para a transformação da realidade. Então ela julgava melhor pensar na vida pessoal, no cultivo espiritual e emocional.
 
E agora, José? Está aí de novo a juventude inquieta. Não veio de movimentos organizados, mas fruto das redes sociais. Como anunciar-lhe um Evangelho que fale de liberdade interior, de dedicação aos irmãos, de Reino de Deus a agir cheio de amor e de graça de Deus na história?
 
A beleza do que se anuncia tem força para tocar os corações, sobretudo da geração jovem
A evangelização não se constrói fundamentalmente contra, mas a favor da Boa Nova. Não vem combater diretamente a obra do mal, mas opor-lhe notícia nova tão bela que atraia as pessoas e as afaste do mal. A beleza do que se anuncia tem força para tocar os corações, sobretudo da geração jovem. A Palavra de Deus realizada pela pessoa e vida de Jesus, dedicada a manifestar a entrega de si pela humanidade até a cruz, tem poder de sedução.  
 
O jovem Paulo, que assumira a perseguição aos cristãos,  quando encontra com a mensagem de amor de Cristo se transforma no gigante da evangelização. Esse encontro se dará se a juventude metida na rebeldia com a falta de sentido da vida no atual sistema se deparar com a face luminosa do Evangelho.
 
Pe. João Batista Libanio, SJ
Professor da Faculdade Jesuíta de 
Teologia e Filosofia (FAJE)