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O Cristo revelador e a plenitude de toda a Revelação

 

Temos a Palavra de Deus como força criativa que moldou e transformou a vida do povo
de seu povo, guiando-o na história e preparando os caminhos para a vinda do Reino

 

Desde a tradição de Israel já se encontrava estabelecida uma relação entre Deus, o Homem, a sociedade humana e a história: uma relação continuada e ampliada na Igreja cristã e na sua história.

A Revelação judaica apresenta um modo distinto de ação divina, um Deus vivo e pessoal que é, essencialmente, criador: o criador do mundo, do homem e da história. Seu poder criativo é encontrado não só naquilo que ele fez, mas no que faz e no que está prestes a fazer, ou seja, na criação de um novo povo, o qual tornará o portador do designo divino pelo qual Deus irá mudar a própria natureza e renovar a face da terra.

Temos aí uma visão da importância do Antigo Testamento para a compreensão do Cristianismo. Por um lado, uma compreensão teológica que é a revelação da Palavra como realidade suprema e, por outro lado, uma compreensão histórica, pois temos a Palavra de Deus como força criativa que moldou e transformou a vida do povo de Deus, guiando-o na história e preparando os caminhos para a vinda do Reino.

Estas eram as esperanças de Israel: a vinda pessoal daquele que estava destinado a anunciar esse Reino. Assim, encontramos na tradição de Israel o registro da revelação divina na aliança do Sinai, a lei de Deus e a palavra dos profetas. Essa culmina no anúncio da vinda do Reino que se realizaria pelo advento do Messias. Todos esses propósitos de Deus para o homem, Israel e a Igreja são realizados em meio à catástrofe histórica – a Revelação Apocalíptica.
 

Pode-se buscar a compreensão da Revelação na Palavra Viva do Evangelho que é transmitida, recebida e guardada mas, principalmente, é anunciada e proclamada no querígma (Mt 4,23), objeto de fé

Ao longo da missão de Jesus, ele apresentava o Reino como um novo estado ao qual os homens são chamados. Comparava o Reino a um banquete nupcial (Mt 22), a um grão de semente (Mt 13,24; 13,31; Mc 4,26-29), à colheita (Mc 4, 26-29; Mt 13, 24-30), a um tesouro escondido (Mt 13,44), a uma pérola de grande valor (Mt 13,45). A revelação do mistério do reino é ao mesmo tempo, a revelação do mistério da cruz. Esta é a novidade do Evangelho de Jesus: a vinda do reino e a nova aliança espiritual que os profetas anunciaram são concretizadas pela paixão do Messias. “(Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado por muitos” (Mt 26,28); Mc 14,24), “Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue” (Lc 22,20).

O anuncio da Nova Aliança na última ceia é seguida pela rejeição de Jesus como messias por parte dos judeus, de sua condenação e morte nas mãos dos gentios e, finalmente, por sua ressurreição. Esses acontecimentos são a manifestação final da divina missão de Jesus, o cumprimento histórico da profecia e a entrada em um Novo  Tempo. Com eles, o Reino de Deus já chegou. Jesus está sentado à direita do Pai e a ele foi dada toda a autoridade sobre a face da Terra e do Céu.

Jesus, após sua ressurreição, reúne seus apóstolos e diz: “Toda autoridade sobre o Céu e sobre a Terra me foi entregue. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 18-19). Assim, a nova aliança no sangue de Cristo cria um novo povo.

Para que a Revelação Divina chegasse a todos, em todas as épocas, Jesus Cristo, o enviado de Deus, que anunciou o Reino trazendo a ideia de um novo mundo, uma nova ordem mundial, enviou os apóstolos para anunciar o “Evangelho”.  Assim é a forma pela qual o “Evangelho” chega aos homens: pela pregação oral, exemplos e constituições provindas do contato pessoal dos Apóstolos com Cristo e da inspiração do Espírito Santo. Também pelos escritos inspirados pelo mesmo Espírito. Após o tempo dos apóstolos, estes deixaram os bispos como seus sucessores, entregando-lhes o seu próprio ofício de magistério.

Pode-se então buscar compreensão da Revelação na Palavra Viva do Evangelho que é transmitida, recebida e guardada mas, principalmente, é anunciada, proclamada no querígma (cf. Mt 4,23), o objeto de fé. Conforme Marcos 1,15 –“Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho”).

 

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética de BH