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Toda celebração do Natal traz veste franciscana depois que o santo medieval lhe deu destaque especial. A ele remonta o primeiro presépio que se tornou presença obrigatória nas igrejas e em muitas casas na época de Natal. Aí a imaginação humana voou alto, desde o menino Jesus na manjedoura até verdadeiras cidades. No centro está a criança. Mas, em torno dela, desfilam animais, pastores, cidadãos comuns até que na Epifania chegam os Reis magos. Tudo carregado de símbolos.

 

O sentido profundo do Natal joga com dois polos. De um lado, a simplicidade e a encarnação humana do Filho de Deus, feito criança por nós. Toca fundo o coração humano. Na figura desarmada do menino torna-se presente Aquele em quem e por quem tudo foi criado. O infinito cabe na pequenez daquele serzinho a chorar na manjedoura.

 

Doutro lado, diante dele dobram os joelhos a Virgem Santíssima, José, pastores e, simbolizados pelos três reis magos, os grandes da terra. A grandeza do céu se faz pequena e as grandezas da terra se fazem ainda menores. Eis a lição magistral do nascimento, retratada no presépio.
 

Em Belém, a gruta se abre aos pastores, expressão social dos marginalizados de então. Assim quer o Papa que a Igreja seja

No presente Natal, os olhos dos católicos se voltam para outro Francisco que tem mostrado muitos sinais similares ao santo, cujo nome escolhera para si. Ele tem derramado sobre a Igreja o espírito natalino da simplicidade, da proximidade com os mais pobres e sofridos da humanidade.

 

A festa de Natal serve para realçar os traços que vêm marcando o presente pontificado. Basta um único ponto. O Papa Francisco não para de insistir em que a Igreja deixe de ser autorreferenciada e se volte para o mundo. Natal revela precisamente essa face de Deus.

 

Muitos povos pensaram que Deus vivia na felicidade eterna, fechado em singularidade inatingível. Algumas pregações até hoje deixam transparecer um Deus que está simplesmente à espera que todos o glorifiquem e ele permanece preso à sua glória. Mas ele nos revelou bem diferente. Primeiro, não é singularidade, mas comunhão trinitária de amor.

 

Mais claramente aparece na festa de Natal. Ele sai de sua eternidade para imergir-se na história humana. E não o faz no esplendor de algum palácio romano nem na sede filosófica da Grécia. Escolhe a simplicidade e a pobreza de rincão perdido na Palestina dominada. Aí planta a tenda do amor à humanidade.

 

No Filho manifesta-se de maneira transparente o coração de Deus Pai e a presença atuante do Espírito. Natal inicia simplesmente uma vida que seguirá pelo mesmo caminho da entrega total de si. Nada o fará abandonar o caminho da pobreza, da presença e da acolhida de todo que se aproxima, especialmente do pobre e pecador.

 

Em Belém, a gruta se abre aos pastores, expressão social dos marginalizados de então. Assim quer o Papa que a Igreja seja. A gruta sem porta que não impede nem exclui o acesso de ninguém. Sempre aberta. E a todo que entra apresenta a figura carregada de ternura do Infinito de Deus escondido na fragilidade da humanidade. A Igreja do Natal só conhece a acolhida misericordiosa. Mais: sabe que aquela criança, ao longo da vida, não parará de ir ao encalço das multidões para anunciar-lhes a salvação. Acolhida sem discriminação e a saída para o mundo: eis o Natal, eis a Igreja querida pelo Papa Francisco.

 

Celebração do  Natal  com  moradores  em situação de  rua  na  Arquidiocese  de  BH
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A Igreja do Natal só conhece a acolhida misericordiosa

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Pe. João Batista Libanio, SJ
Professor da Faculdade Jesuíta de
Teologia e Filosofia (FAJE)