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Nada tem mais valor do que a vida

Certamente cada um de nós já se indignou quando assistiu, ouviu ou leu algo que atentasse contra a vida.

Ouvir discursos acalorados a favor do aborto nos enche de indignação, assim como assistir a massacres de inocentes por atos de terroristas ou tragédias causadas por irresponsabilidade de gestores e autoridades.

E é bom que assim seja, é prova de que ainda há alguma fagulha de amor ao próximo em nossos corações e que o Autor da vida nos assinalou com seu amor.

Mas ao mesmo tempo em que nos indignamos com estes acontecimentos, há um movimento devastador e cruel acontecendo e para o qual temos fechados nossos olhos, inconscientemente ou não.

Diariamente pelo menos 140 vidas são ceifadas no Brasil em acidentes de trânsito e aproximadamente 1400 ficam com invalidez permanente (paraplegia e tetraplegia). Famílias inteiras são destruídas e a grande maioria das vítimas são jovens.

Diferente das grandes tragédias onde o número de vítimas é grande e uma comoção nacional é impulsionada pelos canais de comunicação e toda mídia, as vítimas de acidentes de trânsito passam desapercebidas diante das redações de jornais e revistas.

O desastre aéreo que vitimou 180 pessoas ocupa por muitos dias as páginas dos jornais e as pautas dos telejornais. Procuram-se os motivos do acidente, os responsáveis, os culpados.

Tragédias começam com números e terminam com histórias, o filho que regressava para casa após o passeio de férias, os recém-casados que estavam indo para a lua de mel, enfim, muitas chagas são abertas e muito sofrimento é exposto. Ao olharmos para a tragédia do trânsito brasileiro, diariamente morrem em nossas ruas e rodovias um número parecido com o de desastres aéreos, é como se todos os dias caísse um avião em nosso país.

 

Por ser o trânsito o maior espaço público de interação humana, onde o conflito de interesses se dá a todo momento, a prática do perdão, da misericórdia, da paciência, da gentileza e o respeito ao próximo transformará o ambiente

E por que isso não nos assusta e nem nos comove? Por que isso não nos deixa perplexos e aterrorizados? Por que isso não nos sensibiliza? Talvez a resposta seja porque as vítimas são contabilizadas a “conta gotas”, aos poucos, umas aqui, outras ali… mas ao final do dia lá estão elas, 130, 140, 150 vidas ceifadas, sonhos interrompidos, famílias destruídas.O trânsito, originalmente, não foi criado para isso, para fazer vítimas, deixar famílias enlutadas e produzir sofrimentos, mas sim para trazer conforto, levar saúde, aproximar pessoas, salvar vidas!

A indústria automobilística gasta anualmente milhões de reais em pesquisas para o desenvolvimento de equipamentos de segurança para os veículos, mas isso tem sido insuficiente para impedir o avanço das mortes e sequelas no trânsito. Quanto mais seguras as pessoas se sentem, mais exageram na velocidade e isso faz com que os acidentes sejam mais graves e com danos ainda maiores.

A mudança necessária não está nos veículos e sim nas pessoas, se as pessoas não mudarem o comportamento, não haverá resultado positivo.

O que fazer? Será que conseguiremos interromper esta matança? Será que conseguiremos gritar para o Brasil e o mundo que nada tem mais valor do que a vida!

Para Arruda* (2012), “Temos diante de nós um desafio, uma causa a ser abraçada pela qual vale a pena viver e morrer. Foi através da conscientização de desafios desse porte que pessoas mudaram a história e contribuíram para uma nova razão de viver. Foi o idealismo que fez pessoas lutarem pela libertação dos escravos, pela transformação de colônias em países independentes, pela busca incessante de direitos civis que propiciem que as pessoas sejam reconhecidas cada vez mais como iguais. Pelo abraçamento de certas causas é que novos remédios foram descobertos, hospitais foram construídos, ajudas humanitárias se viabilizaram em períodos catastróficos e assim por diante”.

“Contudo, por detrás de todas estas ações que culminaram em muitas vidas poupadas e sofrimentos amenizados, estavam as pessoas que abraçaram a causa e deram a própria vida por ela. Pessoas estas que encontram uma razão maior para viver ao ponto de entender que por essa causa valeria a pena esgotar toda a sua vida e, muitas vezes, tiveram que a dar em martírio. Alguns poucos famosos que, em sua maioria, só foram reconhecidos posteriormente pela história e muitos anônimos a quem devemos a qualidade de vida que desfrutamos em nossa sociedade nesta geração.”

Em um país reconhecidamente cristão, não podemos admitir que isso continue, se para especialistas de trânsito a disseminação de uma cultura de segurança se faz necessária, temos que ir além disso, precisamos levar para dentro de nossos automóveis a cultura de paz e vida que professamos diariamente em nossas orações.

Somente com uma educação de valores poderá fazer reduzir o número de vítimas do trânsito. Se colocarmos em prática, no trânsito, os valores do evangelho salvaremos esta nação e seremos um testemunho para o mundo.

Por ser o trânsito o maior espaço público de interação humana, onde o conflito de interesses se dá a todo momento, a prática do perdão, da misericórdia, da paciência, da gentileza e o respeito ao próximo transformará o ambiente.

Devemos ensinar desde a nossa casa, aos nossos filhos, aos nossos amigos, precisamos nos irmanar nesta causa em favor da vida e não da morte, pois uma coisa é certa: juntos podemos salvar milhões de vida.

Seja você a mudança a mudança no trânsito!

*Arruda, Pedro – http://www.ebtba.com.br/site/artigos/view/5

Mauricio Pontello
Diretor da Rede Totus Vita de Educação para o Trânsito
Integra o Conselho Administrativo da Paróquia Senhor Bom Jesus do Horto
Ministro Extraordinário da Comunhão
Atua na Pastoral da Juventude