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Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos é tema de documentário

Na semana da 10ª Primavera dos museus, a Rede Minas exibe um documentário sobre o Muquifu, único museu de favela de Minas Gerais. O Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu), foi idealizado pelo padre Mauro Luiz Silva, na Paróquia Nossa Senhora do Morro, Aglomerado Santa Lúcia, em Belo Horizonte.

O documentário Muquifu – Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos – é um registro histórico de um dos museus mais importantes de Minas Gerais, pela sua origem e finalidade.

O Muquifo abriga um acervo bastante peculiar: objetos pessoais dos moradores, famílias que estão sendo reassentadas pela Prefeitura; um museu voltado à valorização dos recursos intangíveis, recuperação de histórias, projetos, caminhos individuais e coletivos.

Se a palavra museu nos remete a espaços arquitetônicos sofisticados, com obras de artistas renomados, vertentes diversas, o Muquifu foge à regra ou convenção. Nas palavras do curador, Padre Mauro Luiz da Silva, “trata-se de um museu incomum, resultado de um desafio e uma paixão, criado para derrubar alguns estereótipos e clichês e se opor a injustiça social”.

Ao longo do documentário, Padre Mauro narra sua chegada ao Aglomerado, há dezesseis anos, a relação desenvolvida com a comunidade local, o papel de mediador de conflitos e a origem do Muquifu, que passa por tudo isso. Muitos foram os desafios, parcerias e sujeitos dessa história. Vale ressaltar que tudo começou com o chá das terças, promovido por um grupo de senhoras frequentadoras da Igreja dos Santos Pretos, onde Padre Mauro celebra missa semanalmente e onde se encontra a sede principal do Muquifu.

Além de Padre Mauro, o documentário traz também o depoimento do museólogo e coordenador geral do Muquifu, José Augusto que, desde o início, se apaixonou pela causa. Ele é um dos grandes incentivadores e divulgadores do espaço. Já o artista plástico Cleiton Gos conheceu o projeto na cidade onde mora, Recife. Desde então, vem regularmente à Belo Horizonte exclusivamente para pintar as paredes da Igreja dos Santos Pretos, cujas temáticas valorizam a representatividade dos negros e a memória das mulheres da Vila Estrela.

Uma das personagens mais marcantes é a Dona Marta, Rainha Conga de Santa Efigênia. Dona Martinha, como é carinhosamente chamada, além de fiel atuante na Igreja, é uma das frequentadoras assíduas do chá das terças, desde o início. Ela conta como se uniu ao grupo e a importância do Muquifu na vida dela e dos moradores.

Ao longo do documentário, o telespectador e internauta vai conhecendo o acervo do museu: fotografias, objetos, imagens de festas, danças, celebrações, tradições e histórias que representam a tradição e a vida cultural dos moradores das diversas favelas e quilombos urbanos do Estado de Minas Gerais, sobretudo do Aglomerado Santa Lúcia.

Confira a programação completa da 10ª Primavera dos Museus, realizada entre os dias 19 e 25 de setembro.

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