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Minha participação na JMJ

 

Participei pela primeira vez de uma Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Experiência que marcou profundamente meu coração de bispo. Assim que cheguei a Belo Horizonte, em fevereiro do ano passado, dom Walmor me confiou a missão de acompanhar os preparativos da Semana Missionária. Essa missão me deu o privilégio de estar bem próximo dos jovens e de conhecer também o projeto da JMJ. Em abril deste ano, recebi o convite para ser catequista durante a Jornada. Inscrevi-me e reservei integralmente a data para participar das atividades da JMJ no Rio de Janeiro.     

 

A experiência foi muito significativa, posso até mesmo dizer, muito decisiva para compreender o alcance de nossa missão evangelizadora, especialmente junto aos jovens. Assim, destaco três aspectos. As Catequeses foram oportunas para o contato direto com jovens peregrinos vindos de tantos lugares diferentes.

 

Quem viveu a JMJ Rio 2013 tocou a face jovem da Igreja. Que esse toque alimente no coração de cada um a disposição para viver a fraternidade cristã

 

Percebi o espírito de desprendimento naqueles jovens que estavam dispostos a levantar cedo, percorrer longas distâncias, enfrentar filas e meios de transporte superlotados. No olhar de cada um, o manifesto interesse de escutar a Palavra. Sim, os jovens demonstraram grande amor ao Papa. Vibravam quando o viam e quando o escutavam. De modo semelhante nos escutaram nas Catequeses e queriam nos conhecer.

As grandes celebrações reuniram milhões de peregrinos. Delas, destaco a atenção silenciosa especialmente durante a proclamação da Palavra e da mensagem do Santo Padre e, também, durante a prece eucarística. Foi maravilhoso poder ouvir o rumor das ondas do mar de Copacabana e o silêncio da maior assembleia litúrgica de que participei.

Os jovens banharam a cidade maravilhosa de alegria, de cores, de jovialidade, de sorrisos, de gritos de saudação, de música, de dança. Por todos os lugares podiam ser encontrados grupos de peregrinos logo identificados pelas mochilas, camisas e bandeiras. Quem os via podia reconhecê-los como jovens discípulos de Jesus Cristo. Não por formas ostensivas, senão pela alegria serena do testemunho de vida cristã manifestado na atenção dedicada a todos, no cuidado com as pessoas e ambientes, na alegria diante dos desafios de longas caminhadas.
 
Quem viveu a JMJ Rio 2013 tocou a face jovem da Igreja. Que este toque alimente no coração de cada um a disposição para viver a fraternidade cristã e o compromisso de colaborar na construção de um Brasil mais justo. Ao chegar ao Brasil, Papa Francisco pediu permissão para bater delicadamente na porta do coração de cada brasileiro. Hoje sabemos que ele não entrou sozinho em nosso coração. Com ele entraram também os jovens para revitalizar em cada um de nós a esperança de um mundo melhor.

 

+ João Justino de Medeiros Silva
Bispo Auxiliar de Belo Horizonte – MG