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Jesus: modelo de perfeita oração

 

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41).

 

A freqüência com que oramos pode variar bastante segundo as circunstâncias que nos envolvem. Contudo, pressupõe-se que seja um costume regular.  O Senhor Jesus – como homem perfeito que foi – em tudo nos é modelo. Os seus dias de trabalho eram repletos de afazeres como os de nenhum outro. Mesmo assim, sempre o vemos em oração perante o seu Pai Celestial: cedo de manhã, ao fim do dia e, não raro, durante a noite. Isto vem á tona especialmente no evangelho de Lucas, onde ele é apresentado como o Filho do Homem. Vamos conferir algumas cenas:

 

Logo no início de seu ministério: o batismo por João Batista assinala o início do ministério de Jesus (At 1,22). Lucas é o único que relata que o Senhor, tendo saído da água, orou. Logo a seguir o céu se abriu para o duplo testemunho divino, que também é relatado por Mateus e Marcos: o Espírito Santo desceu sobre ele em forma visível, e o Pai testificou o seu agrado no seu “Filho amado” (Lc 3,21-22).

 

O batismo por João Batista assinala o início do ministério de Jesus. Lucas relata que o Senhor, tendo saído da água, orou (Lc 3,21-22)

Em meio a muitos trabalhos: Nosso Senhor cumpria uma extensa lista de atividades. Ele ensinava nas sinagogas, pregava por toda parte, curava os enfermos e expulsava demônios. Não havia como evitar que suas obras repercutissem, embora ele admoestasse repetidas vezes que não fizesse divulgação. “Ainda assim, ele não se deixava absorver pelas requisições, porém, se retirava para os lugares solitários e orava” (Lc 5,16). Tal relato faz supor que, por vezes, ele também se ausentava por períodos prolongados para estar a sós com Deus.

 

Antes de decisões relevantes: certa ocasião ele perseverou a noite inteira em constante “oração a Deus” (Lc 6,12). Foi quando ele estava para escolher os seus doze apóstolos. Entre eles, homens que posteriormente, seriam grandes testemunhas da fé, como Pedro, João e Tiago, mas também “Judas Iscariotes, que se tornou traidor”. Ele era o filho de Deus, e nada lhe estava oculto; contudo, como homem que era, sentia profundamente a necessidade de comungar com Deus acerca dessas coisas.

 

Antes de anúncios importantes: certa vez ele orou na presença dos discípulos, para,  em seguida, testá-los com uma pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou? (Lc 9:18-20). Em sua resposta, Pedro rendeu o magnífico testemunho: “O Cristo de Deus” (compare com Mt 16,16-17) . O Senhor Jesus no entanto, tomou a oportunidade para anunciar os seus sofrimentos da cruz.

 

Sobre o “monte santo”: a maravilhosa prévia do que seria sua glória no vindouro Reino de Paz, que pode ser assistida por três de seus discípulos, começou com uma oração. “Estando ele orando”, ocorreu a misteriosa transfiguração (Lc 9,28-36; 2 Pe 1,16-18).

Senhor, ensina-nos a orar: o Senhor havia terminado de orar, quando um dos discípulos lhe fez este pedido (Lc 11,1). Correspondendo a posição de outrora, ele apresentou o modelo do “Pai Nosso”. Hoje, todavia, oramos “no Espírito Santo” (Jd 20), contudo, na mesma atitude.

 

Getsêmani: aqui vemos Nosso Senhor de joelhos, em profunda aflição de alma (Lc 22,43-44). Ele viera para cumprir a vontade de Deus, e nunca vacilou neste propósito. Sua missão tinha como base a oração ao bom Deus.

 

Ensinamento sobre a oração

 

Nosso Senhor Jesus Cristo é o perfeito exemplo de orante e a maior autoridade sobre o ensino da oração. Ele deixou para nós a maior e a mais poderosa oração do universo: “A oração do Pai Nosso” (Mt 6,9-13).

 

Ele contou uma parábola para mostrar a necessidade de orar sempre, sem jamais esmorecer (Cf. Lc 18, 1-8). Jesus tanto orava em companhia de seus amigos (Mt 26, 36-38; Lc 9, 28-36; Jo 11,40-45), como buscava o silêncio e a solidão para uma comunhão mais perfeita com o Pai (Mt 14,23 ; Mc 1,35). O capítulo 17 do Evangelho de São João é magistral no ensino de oração intercessória. São Paulo Apóstolo aprendeu muito bem com o seu Mestre Jesus de Nazaré, quando ele exorta: “Orai sem cessar” (1 Ts 5,17). “Com orações e súplicas de toda a sorte, orai em todo o tempo, no Espírito e para isso vigiai com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6,18).

 

Os Santos, na história da Igreja, deixaram para nós o maior exemplo de oração e intimidade com Deus. Uma das principais virtudes dos Santos é a vida profunda de clamor e súplica pela humanidade.

 

A força da oração para obtermos a graça, não vem de nossos méritos, mas da misericórdia de Deus que prometeu ouvir aquele que lhe pede

O grande Bispo e Doutor da Igreja Santo Agostinho de Hipona dizia: “Sem a oração não se pode conservar a vida da alma. A oração é uma chave que nos abre as portas do céu”. O Patriarca de Constantinopla São João Crisóstomo afirmava: “O homem mais poderoso é o que reza, porque se faz participante de Deus”.

 

O notável teólogo, chamado pela Igreja de “O Doutor Angélico”, Santo Tomás de Aquino dizia: “A oração contínua é necessária ao homem para entrar no céu. A força da oração para obtermos a graça, não vem de nossos méritos, mas da misericórdia de Deus que prometeu ouvir aquele que lhe pede”.

 

A primeira mulher declarada Doutora da Igreja foi a grande mística Santa Teresa de Ávila, que disse: “A oração de intimidade com Deus, não é outra coisa senão um morrer quase total a todas as coisas do mundo para alegrar-se só em Deus. Quem deixa a oração é como jogar-se no inferno por si mesmo, sem necessidade dos demônios”. Por isso o Bispo, doutor e fundador da Congregação do Santíssimo Salvador, patrono dos confessores e teólogos da teologia moral, Santo Afonso de Ligório, afirmou com categoria: “Quem reza se salva. Quem não reza certamente se condena. “Digo  e repito e repetirei sempre, enquanto tiver vida, que toda a nossa salvação está na oração”.

 

E para finalizar essas pequenas citações sobre a oração, termino com o pensamento da gloriosa e amadíssima Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Igreja e padroeira das missões: “Ah! é a oração, é o sacrifício que fazem toda minha força. São as armas invencíveis que Jesus me deu e, bem mais do que as palavras, podem tocar as almas. Fiz muitas vezes essa experiência”.

 

Conclusão

 

Seguir Jesus Cristo é amar e viver seus ensinamentos. Na oração, o modelo maior é oração do PAI NOSSO. Precisamos explorar a riqueza da oração. Mergulhar a alma no Oceano de oração. Três coisas para a alma viver no Oceano de oração: “Tempo, vontade e ação”. O tempo, que é o belo presente de Deus, deve ser vivido na graça do amor, do perdão, da meditação e no dialogo com Deus. À vontade, que é nosso desejo de forma radical para fazer a vontade de Deus, praticar boas obras e se jogar nos braços do Pai contra as tentações demolidoras. A ação, que é o hábito de orar em todo tempo e lugar. A ação leva-nos a buscar métodos sobre a prática do profundo oceano de oração. 

 

A nossa fortaleza e a nossa felicidade estão no trato com a oração. Essa experiência faz a alma caminhar com segurança na estrada da vida

A nossa fortaleza e a nossa felicidade estão no trato com a oração. Essa experiência faz a alma caminhar com segurança na estrada da vida. Ganhamos tudo de excelente por meio da oração. A vida sobrenatural é verdadeira pelo espírito da oração. Para vida mística – unitiva – contemplativa, o fundamento é o ardor da oração.

 

Nosso Senhor Jesus Cristo se faz tão presente com atos de sublime misericórdia no coração de quem ora e ama, cuja vida leva muitas pessoas a contemplar a face do bom Deus.

 

Pe. Inácio Jose do Vale
professor de Historia da Igreja, pregador de retiros espirituais
 e especialista em Ciência Social da Religião