Você está em:


 

3º Domingo da Páscoa
Cor: Branca – 14/04/2013
Textos Bíblicos – At 5,27b-32.40b-41//  Sl 29 (30)//  Ap 5,11-14 // Jo 21,1-19

 

A liturgia do 3º Domingo do Tempo Pascal destaca a missão da comunidade cristã de dar testemunho do projeto libertador de Jesus, e de torná-lo realidade. E que Jesus, vivo e ressuscitado, estará sempre com a sua Igreja em missão, dando-lhe vida com sua presença e orientando-a com a sua Palavra.

A questão principal gira em torno do confronto entre o cristianismo nascente e as autoridades judaicas. A frase de Pedro “deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens” (vers. 29) deve ser vista como o tema central; define a atitude que os cristãos são convidados a assumir diante da oposição do mundo.
 

Na segunda leitura, Jesus é apresentado como o Cordeiro imolado que  ressuscitou  e  trouxe aos homens a libertação definitiva. Assim, no contexto litúrgico, o autor põe a criação inteira a manifestar sua alegria e seu louvor diante do “Cordeiro” que venceu a morte.

Ao dar continuidade ao projeto libertador de Jesus, o Evangelho apresenta os discípulos em missão, mas avisa que a ação deles só terá êxito se eles souberem reconhecer o Ressuscitado junto deles e se deixarem guiar pela sua Palavra.

O texto divide-se em duas partes. A primeira, até o versículo 14, é uma parábola sobre a missão da comunidade. A linguagem é simbólica. Começa por apresentar os discípulos. Eles são sete, representando a totalidade da Igreja, empenhada na missão e aberta a todas as nações e a todos os povos.

Esta comunidade é contextualizada no ambiente da pesca, atividade que representa a missão confiada por  Jesus  aos discípulos ( Mc 1,17; Mt 4,19; Lc 5,10): libertar todos os homens que vivem mergulhados no mar do sofrimento e da escravidão. Pedro é o líder nesse processo e é ele quem toma a iniciativa. Os outros discípulos o seguem sem impor condições ou questioná-lo. Atitude que mostra a importância de Pedro na condução da Igreja.
 

“Não existe adesão a Jesus se não se estiver disposto a seguir o caminho de amor e entrega da vida, que Jesus percorreu”

A pesca é feita durante a noite, o tempo das trevas, da escuridão. Significa a ausência de Jesus, conforme ele mesmo afirma, segundo o Evangelho de  João: “enquanto é de dia, temos de trabalhar, realizando as obras daquele que me enviou: aproxima-se a noite, quando ninguém pode trabalhar; enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo” – Jo 9,4-5). O resultado da ação dos discípulos (de noite, sem Jesus) é um fracasso (“sem Mim, nada podeis fazer” – Jo 15,5). A chegada da manhã,  da luz, coincide com a presença de Jesus (Ele é a luz do mundo).

Jesus não está com eles no barco, mas sim em terra: Ele não acompanha os discípulos na pesca; a sua ação no mundo exerce-se por meio dos discípulos. Concentrados no seu esforço inútil, os discípulos nem reconhecem Jesus quando Ele Se apresenta. O grupo está desorientado e decepcionado pelo fracasso, posto em evidência pela pergunta de Jesus (“tendes alguma coisa de comer?”).

 Mas Jesus dá-lhes indicações e as redes enchem-se de peixes: o resultado deve-se à docilidade com que os discípulos seguem as indicações de Jesus. Acentua-se que o êxito da missão não se deve ao esforço humano, mas sim à presença viva e à Palavra do Senhor  ressuscitado.

O surpreendente resultado da pesca faz com que um discípulo o reconheça. Este discípulo – o discípulo amado – é aquele que está sempre próximo de Jesus, em sintonia com Ele e que faz, de forma intensa, a experiência do amor de Jesus: só quem faz essa experiência é capaz de ler os sinais que o identificam. De perceber a sua presença por detrás da vida que brota da ação da comunidade em missão.

Os pães com que Jesus acolhe os discípulos em terra são um sinal do amor, do serviço, da solicitude de Jesus pela sua comunidade em missão no mundo: deve haver aqui uma alusão à Eucaristia, ao pão que Jesus oferece, à vida com que Ele continua a alimentar a comunidade em missão.

Na segunda parte do texto (vers. 15-19), Pedro confessa por três vezes o seu amor a Jesus (durante a paixão, o mesmo discípulo negou Jesus por três vezes, recusando dessa forma embarcar com o Mestre na aventura do amor que se faz dom. Pedro – recordemo-lo – foi o discípulo que, na última ceia, recusou que Jesus lhe lavasse os pés porque, para ele, o Messias devia ser um rei poderoso, dominador, e não um rei de serviço e de dom da vida.

Nessa altura, ao raciocinar em termos de superioridade e de autoridade, Pedro mostrou que ainda não percebera que a lei suprema da comunidade de Jesus é o amor total, o amor que se faz serviço e que vai até à entrega da vida. Jesus disse claramente a Pedro que quem tem uma mentalidade de domínio e de autoridade não tem lugar na comunidade cristã (Jo 13,6-9).

A tríplice confissão de amor pedida a Pedro por Jesus corresponde, portanto, a um convite a que ele mude definitivamente a mentalidade. Pedro é convidado a perceber que, na comunidade de Jesus, o valor fundamental é o amor; não existe verdadeira adesão a Jesus, se não se estiver disposto a seguir esse caminho de amor e de entrega da vida, que Jesus percorreu.