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[Artigo] Iniciação à vida cristã, desafio da evangelização-Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-catequético de BH

A evangelização consiste em iniciar a pessoa em todas as dimensões da vida cristã. E a Iniciação Cristã, nesse processo evangelizador, se apresenta como oportunidade para a concretização de um novo estilo catequético caracterizado pelas marcas do querigma e da mistagogia.

Tanto o querigma, quanto a mistagogia são colunas mestras do catecumenato, ao qual somos chamados a nele inspirar para adequá-lo às realidades atuais e fazer uma reflexão sobre como elaborar um projeto pastoral que invista em itinerários iniciáticos que possa contribuir para uma evangelização formativa, geradora de cristãos adultos na fé.

Vivemos numa realidade em que já não se pode atribuir aos pais a função de iniciar seus filhos na fé. Antes eram os pais que explicavam e ajudavam aos filhos a compreenderem a fé recebida no batismo e, posto que a família constituía verdadeiro âmbito de fé, ensinavam praticando-a, a fé cristã. Hoje já não é mais possível pensar em uma iniciação cristã, realizada quase de modo espontânea, por influência do ambiente. A própria geração de pais, hoje, não teve a oportunidade de uma formação cristã autêntica para repassar para seus filhos. Há, também, a considerar a deficiência da própria catequese, à medida que ela não encontrou respostas oportunas, nem realizou mudanças necessárias que a nova situação da sociedade e da Igreja vinha exigindo.

A nova situação social e cultural não apresenta elementos que possibilitem a compreensão e vivência espontânea da fé, o que provoca um enfraquecimento e até o abandono da fé, tornando-se necessário a busca pela formação iniciática, através de uma catequese autêntica e acompanhamento espiritual por parte da comunidade eclesial.

Quando falamos em Iniciação Cristã estamos nos referindo a um processo catequético que facilita a incorporação das pessoas catequizandas, mediante os três sacramentos de iniciação, no mistério de Cristo, morto e ressuscitado, e na comunidade da Igreja, sacramento de salvação, ou seja, essa Igreja chamada a ser “Corpo de Cristo” conforme nos ensina o apóstolo Paulo na sua Carta aos Coríntios. Essa inserção ou transformação das pessoas catequizadas, realizadas dentro do âmbito de fé da comunidade eclesial, em que há de se integrar a resposta de fé da pessoa, exige um processo gradual ou itinerário catequético que o ajude a amadurecer na fé.

A Igreja, mediante a iniciação cristã, manifesta sua identidade de mãe e, ao mesmo tempo em que incorpora o ser humano a Cristo, incorpora-o ao Corpo de Cristo; ao mesmo tempo em que gera o cristão, edifica a Igreja. O cristão recebe de Deus o dom da fé na Igreja. É na Igreja, comunidade de Cristo, que a pessoa perceberá a verdade, a realidade e a significação da fé, fonte de vida para sua existência como pessoa que crê.

Com a iniciativa de Deus, a pessoa percorrerá um caminho de conversão, de libertação do pecado e de crescimento na fé, até o encontro com Jesus Cristo. É o itinerário catequético da iniciação cristã. Caminho progressivo que a conduzirá a Deus. Nesse itinerário, toda a pessoa, por inteiro, em todas as suas dimensões fica implicada, isto é, gera toda uma transformação interior de vida para se entregar a Deus. É uma ação da graça divina e uma resposta de pessoal de fé. Pela Palavra e pelos sacramentos, em virtude da ação de Deus, a Igreja acolhe e gera o novo crente e o educa na totalidade da vida cristã.

No caminho de formação integral proporcionado pela Iniciação à vida cristã, a pessoa aprenderá que a vida cristã é também um combate contra o mal e o pecado. Daí a presença da ascese, os exercícios penitenciais e a invocação do auxilio divino. É um caminhar que a partir da auto-comunicação de Deus ao ser humano, por vontade livre do próprio Deus, realiza-se por dentro da vivência da vida da pessoa. Nesse sentido, a catequese verdadeira que evangeliza é aquela que faz uma íntima ligação de fé com a vida concreta, correlacionando a experiência humana com os elementos da fé configurando-se com a mesma maneira como Deus se manifestou no passado a seu povo e continua a se manifestar ainda hoje.

 

 

 

 

Neuza Silveira de Souza
Secretariado Arquidiocesano Bíblico-catequético de BH