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A interação fé e vida é um princípio que norteia toda a catequese. Compreende dois elementos que se interagem: a experiência de vida e a formulação da fé. Um relacionamento mútuo e eficaz. De um lado, a experiência da vida, os anseios, as aflições, as decepções e as angústias levantam perguntas. Do outro, estão a formulação da fé e a busca da explicitação das respostas a essas inquietações.

 A fé propõe a mensagem de Deus e convida a uma comunhão com Ele, que ultrapassa a busca e as expectativas humanas. Esta mensagem, como conteúdo da fé, tem seu fundamento na própria Palavra, pela qual Deus revela sua vontade de comunhão plena com os homens.

Os significados da Palavra  e da Revelação

Deus quer comunicar o seu ser, a sua totalidade a todas as pessoas. Por meio dessa comunicação, a mensagem de Deus tem ação eficaz e gera transformações no agir daquele que se deixar tocar. Assim, a Palavra torna-se acontecimento decisivo na história de vida de cada um. Partindo da experiência do Povo de Deus narrada na Bíblia, somos, também, levados a experimentar esta mesma Palavra que tem continuidade para além das Sagradas Escrituras. Ela chega até nós por meio da liturgia, da pregação da Palavra, tornando-se ação eficaz, ou seja, ação transformadora na vida da Igreja e em nossa vida pessoal.

“Conhecer a Bíblia nos leva a  esse acontecimento decisivo em nossas vidas e ao encontro com uma pessoa que dá novo sentido à nossa existência”

Deus que se revela comunica seu amor em diálogo amigável. Um amor eterno entre as pessoas divinas – Pai, Filho e Espírito Santo – mas que se estende até nós, convidando-nos continuamente a entrarmos em comunhão com Ele. Nessa comunhão o Criador nos fala, se revela, toma a iniciativa de remover as barreias entre Ele e nós. Mostra o seu rosto por meio da Palavra.

O rosto de Deus

A Palavra de fato é Jesus Cristo. É o Cristo que nos mostra o Pai. O Filho único que está no seio do Pai é que o dá a conhecer, conforme diz o Evangelho de João 1,18. Conhecer as Sagradas Escrituras nos leva a esse acontecimento decisivo em nossas vidas, o encontro com uma pessoa que dá novo sentido à nossa existência. É Jesus que nos faz entender que a Bíblia reúne palavras humanas que guardamos no nosso interior à luz da verdade. E para melhor compreendê-la, é preciso que seja lida à luz do Espírito Santo.  

E quem é o Espírito Santo?

 

“Devemos deixar Deus entrar em nossas vidas. Procurar reconhecer a ação do Espírito em nós e nas iniciativas das pessoas”

O Espírito Santo é soberanamente livre, age de forma inédita e inesperada. É como o vento. E assim sendo, sopra nos corações de todas as pessoas de boa vontade. Ele, que está sempre presente no meio da sua Igreja, hoje como ontem, não teme as transformações. Está continuamente pronto a instaurar novos caminhos.

Nós, cristãos, devemos deixar Deus entrar em nossas vidas. Procurar reconhecer a ação do Espírito em nós e nas iniciativas das pessoas. Um reconhecimento com discernimento, como nos indica Paulo em 1Cor 12,10; 1Ts 5,19-21. Assim podemos viver o amor Trindade. Esse amor trinitário no qual todos os cristãos foram batizados.

Olhando para a nossa realidade, possamos dar continuidade à caminhada de fé, assim como a comunidade de Mateus fez, ouvindo os ensinamentos de Jesus que lhes ordenara: “Ide! Fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as as observar tudo o que vos ensinei. E eu estarei convosco todos os dias até o final dos tempos” (Mt 28,119-20).
                            
 

Neuza Silveira de Souza
    Comissão Arquidiocesana de Catequese