Você está em:

A palavra ética está até nas bocas das crianças hoje em dia. Em relação às organizações, a Lei da Empresa Limpa, sancionada em agosto de 2014 e regulamentada em março de 2015, tem contribuído para aumentar o interesse dos executivos que trabalham nas áreas de conformidade, em entender como a comunicação em suas diversas esferas pode colaborar para difundir a ética corporativa e reforçar a integridade na cultura empresarial. A razão para tanto consiste no fato de que a lei traz um elemento inédito: a responsabilização da pessoa jurídica pelos atos ligados à corrupção. As empresas consideradas irregulares podem sofrer sanções que variam entre 0,1% a 20% de seu faturamento bruto anual, além de correrem o risco de, dependendo da infração cometida, perder incentivos fiscais, sofrer arrestos de bens e até mesmo ter suas atividades suspensas.

Palavras de Evandro Guimarães, presidente executivo do Etco – Instituto Brasileira de Ética Concorrencial, em artigo publicado no último Anuário da Comunicação Corporativa da MegaBrasil. Para ele, torna-se prioritária a adoção de políticas de comunicação capazes de transmitir os valores da empresa e de incentivar a formação de um relacionamento ético e transparente com seus stokeholders, de maneira que podemos esperar para os próximos anos o crescimento dos departamentos de comunicação e relações institucionais das empresas, bem como uma aproximação dessas áreas no sentido de realizar um trabalho conjunto capaz de atender às demandas do governo e da sociedade.

Inserir ética como pilar fundamental da cultura organizacional não é tarefa fácil, principalmente nos casos de empresas envolvidas em algum tipo de escândalo, constata Evandro Guimarães, que trabalhou de 1997 a 2012 como vice-presidente de relações institucionais das Organizações Globo em Brasília.  A recente regulamentação da lei anticorrupção colabora para que um número crescente de empresas adote esse tipo de postura, mas ainda há caminho longo a ser trilhado nesse sentido, posto que grande parte das empresas se encontra em uma fase bastante incipiente de adoção de ações de comunicação que incentivem uma postura de diálogo e transparência.

Rivaldo Chinem
jornalista e consultor na área de comunicação empresarial