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Enquanto a visão de progresso social, baseada na expansão permanente dos desejos materiais, for o mote principal das políticas que respondem pelo crescimento da economia, alcançar a sustentabilidade (a ação que procura devolver o equilíbrio à Terra e aos ecossistemas) estará cada vez mais distante.

Romper com essa falsa ideia de progresso via acúmulo de bens materiais é um dos primeiros e mais importantes passos a ser dado para a reconstrução da sociedade em torno de outros valores.

“Dentro” desses outros valores, necessariamente, deve estar contida a noção precípua de que crescimento econômico é sempre insustentável; de que crescer implica sempre menos meio ambiente; e de que, finalmente, a economia é um subsistema da natureza – um sistema aberto dentro do ecossistema.

 

Urge recusarmos enfaticamente o dogma da teoria econômica ocidental que defende o crescimento como alternativa primeira à condição de se alcançar prosperidade

Reconstruir a sociedade dentro de outros valores passa também por entender que o nível de produção e consumo atual do mundo é insustentável e precisa ser reduzido. Desde que a sociedade de consumo se instalou no mundo ocidental a partir do industrialismo, possibilitando, assim, que o consumo total da economia humana excedesse a capacidade de reprodução material e assimilação de rejeitos da ecosfera, a crise ambiental, “típico produto” desse excesso, evidenciou, desde então, que o sistema não pode incorporar a todos no universo de consumo em função da finitude dos sistemas naturais.

Enquanto a megamáquina econômica continuar crescendo, absorvendo cada vez mais recursos e gerando, por conta disso, destruição ambiental e poluição, continuaremos assistindo as extinções de fauna e flora alcançarem ritmos jamais vistos ao longo da história da humanidade.

É por isso que urge recusarmos enfaticamente o dogma da teoria econômica ocidental que defende o crescimento como alternativa primeira à condição de se alcançar prosperidade. É por isso, ainda, que devemos enveredar esforços para reencaixar as atividades econômicas dentro dos limites dos ecossistemas, buscando atingir políticas de sustentabilidade.

 

Marcus Eduardo de Oliveira
conomista, professor da FAC-FITO e do UNIFIEO, em São Paulo,
especialista em Política Internacional pela Universidad de La Habana – Cuba

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