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Arcebispo preside a Eucaristia na conclusão da 57ª Assembleia da CNBB e celebra 21 anos de ministério episcopal

Bispos de todo o país reunidos na 57ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil,  em Aparecida (SP), celebraram a Eucaristia, na manhã desta sexta-feira, 10 de maio, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. A celebração foi  presidida por dom Walmor, presidente eleito da CNBB para o quadriênio 2019-2013.

O Arcebispo saudou ainda a antiga presidência da CNBB, por todo o serviço prestado e saudou a nova presidência eleita e ressaltou o compromisso da Igreja do Brasil com os apelos do Papa Francisco por uma Igreja em saída.

Dom Walmor disse que, pretende continuar este caminho de credibilidade da CNBB, com todos os que presidirão as 12 comissões episcopais pastorais, também eleitos nesta assembleia.

“Neste caminho bonito, nosso, quando enfrentamos a verdade, há enormes desafios, talvez até mesmo um pouco de medo. Mas, com clareza podemos discernir também uma oportunidade de ouro de darmos uma resposta nova, porque nós temos uma reserva, que não é nossa, é do coração de Deus, na força de Sua Palavra e na fortaleza da Sua graça, para ajudar o mundo a abrir-se ao amor de Deus. E para ajudar a nossa sociedade brasileira, pelo diálogo, a encontrar um novo caminho”.

Em um gesto de acolhimento a todos, o Arcebispo disse que “estende a mão e abre o coração, junto com todos os bispos, para todas as autoridades governamentais, das maiores às menores, e a todos aqueles que têm tarefas importantes, para fazer da sociedade brasileira, uma sociedade mais justa, solidária e fraterna”.

Segundo dom Walmor, a abertura de coração para esta tarefa exige um cuidado especial com os que mais sofrem, os pobres, os esquecidos, os enfermos, aqueles que são vítimas dase muitas indiferenças. “Para dizer ao coração de todos, que nós estamos neste caminho juntos. Com coragem, alegria, porque sabemos que é Deus quem tudo conduz e é na sua força que tudo podemos vencer”.

Dom Walmor destacou sua alegria por celebrar hoje 21 anos de ministério episcopal e outros bispos presentes que também celebram hoje aniversário episcopal ou natalício. “Deus nos ajude neste caminho, e é esta a nossa confiança, para continuarmos como Igreja em cada comunidade, proclamando a Palavra. Ser sinal do amor de Deus”.

Ele lembrou que, quando os bispos eleitos nesta assembleia iniciaram este caminho de serviço à CNBB, no horizonte deles não está a organização, sistematização ou burocracias. “Embora nosso compromisso seja o de fazer tudo do melhor modo possível, no nosso horizonte está a missão”.

E retomando a liturgia do dia, Dom Walmor destacou a leitura dos Atos dos Apóstolos (9,1-20), que mostra o caminho da conversão de São Paulo. “Lucas faz-nos perguntar perplexos ‘porque um homem tão letrado, tão inteligente, reconhecido nas suas cidadanias, respirasse ameaças de morte contra os discípulos do Senhor?’. Ele até foi aos Sumos Sacerdotes para pedir cartas de recomendação, a fim de trazer presos para Jerusalém, homens e mulheres que encontrasse adeptos do caminho, isto é, no seguimento de Jesus Cristo”.

Quando Ananias foi chamado para ir ao encontro de Saulo, diz ao Senhor: “Já ouvi muitos falarem desse homem e do mal que fez aos teus santos que estão em Jerusalém. E aqui em Damasco ele tem plenos poderes”.

Dom Walmor explicou que, no contexto da nossa sociedade, de muitas polarizações e fechamentos, os fiéis são chamados a compreender que há uma única saída, que torna cada um capaz de ter a “envergadura” de missionário como o Apóstolo Paulo: “foi uma luz que brilhou Nele”.

“Uma luz que abriu seus olhos. Depois de três dias sem enxergar. Foi uma experiência profunda de encontro com Cristo, que é o único ponto de partida e a única referência insubstituível se quisermos ser uma Igreja verdadeiramente missionária, corajosa, com uma profecia marcada pela sabedoria. E com uma coragem que não nos deixará ter medo de nada e nem de ninguém. Pela certeza de que é Ele, Cristo, quem nos conduz”, destacou.

Recordando as palavras do Evangelho de hoje (Jo 6,52-59), no qual os judeus discutiam “Como pode ele nos dar sua carne para comer?”, o bispo explicou que só na medida em que se cultiva uma intimidade profunda com Jesus – desdobrada em encantamento, em sabedoria e coragem-, é possível viver a beleza de uma missão como a de Paulo.

“Jesus é a fonte, e quem nele se assenta e se banha, encontra o caminho”, afirmou.

Por isso, explica Dom Walmor, no Evangelho, Jesus diz: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”.

“Para nos dizer, que se quisermos dar ao nosso humano a força que ele precisa; se quisermos ter a força para estarmos de pé; para não nos faltar a sabedoria, que não nos deixa pender em polarizações alguma, é preciso cultivar essa profunda intimidade com Cristo. Este é o nosso caminho. Não há outro”, enfatizou.

E concluiu, afirmando que este é o serviço que os bispos desejam prestar para que todos os outros serviços prestados se desdobrem na verdade do amor, na promoção da justiça e na alegria de serem irmãos.

“Deus nos ajude a fazer no caminho de nossa conferência, com todos os serviços e exigências, o ponto de encontro para essa experiência bonita da colegialidade, que é o voltar, em primeiro lugar, a Ele, Cristo, e cultivar a partir Dele, alegria bonita do nosso respeito fraterno, do respeito às nossas diferenças, fazendo delas uma grande riqueza”.

Dom Walmor  finalizou  sua homilia declamando um poema de Cecilia Meireles.

“’Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo’”.

Logo após a Missa, iniciou-se a solenidade de  posse da nova presidência da CNBB.