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Da conversão para a conversação

 
Quem ama não anda à toa…

 


Os gestos das pessoas convertidas são chocantes e inesquecíveis pela
convicção
e amor que transmitem; só o amor dá sentido à insensatez da vida

 

Quem vive na mentira é mais silencioso… foi o que me disseram. E que vive na verdade é mais tagarela? Pensei, mas não fiquei convicto.

O que acontece quando Deus nos “converte” realmente? Certamente o mundo muda. Nosso estilo e destino… O que era superficial, Deus o faz mais profundo e se é introvertido, o faz mais serviçal e apostólico. Deus nos tira daquela pobre e egoísta autorreferencialidade e nos faz superar os nossos limites.

Assim aconteceu com os grandes convertidos da história e com muitos de nós:

 

O convertido abre seus olhos para o Infinito, magnífico mundo recém-descoberto, e se relaciona com Deus, como um amigo

O presunçoso Ínhigo de Loyola, no momento inefável de sua conversão – experiência marcante do amor Absoluto que o purifica interiormente -, deixou de lado sua vida banal e volta-se humildemente para Deus. Não foi fácil deixar de lado o homem velho, com suas concupiscências e lembranças. Agora: Vida nova, homem novo! Abandona o nome do velho homem (Ínhigo!) e assume o nome do segundo bispo de Antioquia e mártir em Roma: Inácio!

O convertido abre seus olhos para o Infinito, magnífico mundo recém-descoberto, e se relaciona com Deus, como um amigo. Desta experiência profunda e amiga, brota a necessidade de compartilhá-la com alguém que a acolha com respeito. Não é possível silenciar a Palavra. Como partilhá-la sem distorcê-la? Deus abre todos os nossos sentidos, não só a nossa boca, mas também o olhar, o ouvir, o tocar…

Doce é sentir em meu coração humildemente vai nascendo amor.
Doce é saber, não estou sozinho, sou uma parte de uma imensa vida.
Que generosa reluz em torno a mim. Imenso dom do Teu amor sem fim…

Deixe imediatamente agir o Criador com a criatura e a criatura com o seu Criador e Senhor! escrevia Inácio de Loyola nos seus Exercícios Espirituais. Há momentos em que o Criador inunda e transborda sua amada criatura…

Inácio de Loyola se converteu aos 30 anos de idade e essa experiência o transformou numa testemunha fiel do Senhor ressuscitado. Ele “ouvia e conversava” com Deus, e aos poucos foi aprendendo a “ouvir e conversar” espiritualmente com as pessoas que encontrava… A conversão o abriu fraternalmente a todos.

Você já reparou como as palavras e os gestos das pessoas convertidas são chocantes e inesquecíveis pela convicção e amor que transmitem? Só o amor dá sentido à insensatez da vida.

Deus se revelou ao rebelde Inácio e o amou incondicionalmente. Inácio aprenderá a se revelar aos outros e a lhes falar humildemente das coisas de Deus…

Sem amor, toda palavra é oca e todo gesto vazio.

 Para refletir:

Suas palavras e gestos são profundos e significativos?