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Crianças autistas e suas famílias são beneficiadas em projeto de extensão da PUC Minas no Barreiro

Um universo singular


Claudia e o filho Rafael, participante do Projeto Oficinas de Cuidado a Crianças Autistas e seus Familiares

O autismo é um transtorno que desafia a ciência e as causas ainda são pouco conhecidas. Uma das únicas certezas, até hoje, é o período em que se manifesta: na infância. O diagnóstico clínico é feito por médicos que se baseiam na observação do comportamento da criança e em uma entrevista realizada com os pais sobre os sinais que os filhos demonstram. A partir do diagnóstico, um dos pontos mais importantes é a aceitação da família e saber como lidar com os filhos, estimulando-os no desenvolvimento corporal, na interação e na comunicação com outras crianças.

Foi exatamente com o objetivo de auxiliar as famílias e as crianças com autismo que surgiu o Projeto de Extensão Oficinas de Cuidado a Crianças Autistas e seus Familiares, realizado em 2015 pelos cursos de Enfermagem e Nutrição da PUC Minas, Unidade Barreiro, com o apoio do curso de Pedagogia da Unidade Coração Eucarístico.  “Minha rotina era um pouco complicada. Não tinha conhecimento sobre a maneira correta de lidar com uma criança autista. Hoje me sinto mais tranquila, pois através do Projeto posso tirar minhas dúvidas e solucioná-las”, diz Cláudia Maria Mendes de Oliveira, mãe de Rafael, de quatro anos, e participante do projeto.

 

As crianças atendidas no projeto fazem parte dos cerca de dois milhões de autistas que existem no Brasil, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU)

O que para muitos é simples de ser aprendido, para o autista, muitas vezes, torna-se uma tarefa difícil, como a realização de atividades básicas do cotidiano: vestir, calçar um sapato ou tomar banho, por exemplo. Durante as oficinas foram trabalhadas questões relacionadas  à dificuldade de alimentação e a melhor forma de entrar em contato com as crianças, por meio de diretrizes da psicologia, como a repetição e técnicas de ensino feitas em etapas.

No projeto foram realizadas 18 oficinas com professores, alunos extensionistas, crianças com autismo e seus pais, que se reuniam aos finais de semana para compreenderem melhor a forma singular de comunicação das crianças, dividir experiências e ensinar metodologias que estimulam o autocuidado. Para Cláudia, as oficinas eram sempre esperadas com ansiedade, pois auxiliaram no desenvolvimento do filho, principalmente com relação à interação. “Meu filho ficou mais sociável, abraça e beija todas as pessoas, pois ele se sente em casa. Sempre quando ocorrem os encontros é uma festa. O Rafael se diverte muito”, diz.

As crianças atendidas no projeto fazem parte dos cerca de dois milhões de autistas que existem no Brasil, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). E, apesar do número ser expressivo para uma população de mais de 200 milhões de habitantes e do transtorno já ser estudado por pesquisadores, ainda existem muitas perguntas não respondidas pela ciência. “Falar em autismo hoje, no singular, é um erro diante das várias manifestações do transtorno que podem ser identificadas. O autista tem um modo diferente de ser, de perceber o mundo e perceber as pessoas. Ele responde de forma singular e usa a linguagem de uma maneira própria”, explica a psicóloga e psicanalista da PUC Minas que atende um grupo de crianças autistas na Universidade, professora Suzana Faleiro Barroso.

A psicóloga e psicanalista ainda explica que a aceitação do autista como ele é abre a possibilidade de ajudar no seu desenvolvimento, ampliar seus conhecimentos e envolvê-lo mais no intercâmbio social.  

O Projeto beneficiou 25 famílias do Grupo A Mais de Contagem nas oficinas realizadas na PUC Minas no Barreiro e em Contagem. Para Dayse Lima, vice-presidente do Grupo e mãe de uma criança autista, “o Projeto trouxe força e alegria para todas as famílias”.


Sobre o grupo

O A Mais Contagem surgiu em 2013 a partir da união de seis famílias que têm filhos autistas, com o objetivo de garantir os direitos das crianças. O grupo busca maior inserção social e escolar da pessoa com autismo e oferece esclarecimentos à população sobre o transtorno.  Hoje, o grupo é formado por 90 famílias que trocam experiências e lutam pelo direito dos filhos.