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Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, doceira, nasceu em agosto de 1889. Empunhou enxada e verso com a mesma desenvoltura, e um dia como poeta passou a se chamar Cora Coralina, que significa “Coração Vermelho”.  Lições de simplicidade, odes ao bucolismo do campo e ensinamentos sobre a gratidão são ingredientes de sua obra. Um perfil desta grande poeta está na Revista da Cultura, editada pela rede Livraria Cultura em sua última edição.

Cora Coralina nasceu sob o estigma da decepção por não ser o filho homem que o pai desejava. Escreveu um poema em que diz: “Eu era medrosa e nervosa. Chorona, feita, de nenhum agrado/menina abobada, rejeitada”.  Publicou o primeiro livro aos 75 anos de idade. Carlos Drummond de Andrade disse que ela era a “pessoa mais importante do Estado de Goiás”.

Em outro poema, “Minha infância” escreveu: “Éramos quatro as filhas da minha mãe. Entre elas ocupei sempre o pior lugar (…) triste, nervosa e feia. Amarela, de rosto empalamado. De pernas moles, caindo à toa”. Engravidou de um homem separado, em 1911, e se mudou com ele para o interior de São Paulo. Advogado, Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas achava que a mulher deveria se limitar aos afazeres da casa. Ela foi então vender livros de porta em porta. Montou um armazém e ainda cuidava da chácara. Enquanto fazia tudo isso, escrevia.

Marido morto, ela pega os filhos e volta para Goiás Velho. Imóvel que era dela e de três irmãos. Para se sustentar e pagar parte que lhe cabia na divisão do imóvel, começa a cozinhar doces com frutas locais. Suas compotas eram uma forma de atrair turistas e mostrar seus poemas: “Fiz um nome bonito de doceira, glória maior. E nas pedras rudes do meu berço gravei poemas”. Tem um poema em que ela dá uma espécie de recado geral às mulheres: “Que pretendes, mulher?/Independência, igualdade de condições/empregos fora do lar?/És superior àqueles que procuras imitar/Em ti está presente a humanidade”.

Cora Coralina é, sem dúvida, uma das maiores poetas brasileiras e do mundo.

Rivaldo Chinem é autor vários livros, como “Terror Policial” com Tim Lopes (Global), Sentença – Padres e Posseiros do Araguaia” (Paz e Terra), “Imprensa Alternativa – Jornalismo de Oposição e Inovação” (Ática), “Comunicação Corporativa” (Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro), “Marketing e Divulgação da Pequena Empresa” (Senac) na 5ª.edição, “Assessoria de Imprensa – como fazer” (Summus) na 3ª. Edição, “Jornalismo de Guerrilha – a imprensa alternativa brasileira da censura à Internet” editora Disal, , “Comunicação empresarial – teoria e o dia-a-dia das Assessorias de Comunicação” , editora Horizonte, “Introdução à comunicação empresarial”, editora Saraiva, “Comunicação Corporativa” editora Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro ; e “Comunicação empresarial – uma nova visão da empresa moderna” (Discovery Publicações).