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“Construir pontes, pois os muros caem”

A recente viagem a Cuba e aos Estados Unidos foi o tema de Audiência Geral de Francisco, primeiro compromisso público do Pontífice após regressar ao Vaticano. Na Praça São Pedro, cerca de 30 mil fiéis acolheram calorosamente o Santo Padre, que os saudou a bordo do seu papamóvel antes de pronunciar a sua catequese. O Papa saudou também os doentes que acompanharam a Audiência na Sala Paulo VI, por meio de telões.

De modo especial, Francisco agradeceu aos Presidentes Raúl Castro e Barack Obama e ao Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pela recepção que lhe reservaram.
 

Cuba
 

Recordando a primeira etapa de sua 10ª viagem internacional, o Papa Francisco diz que se apresentou em Cuba como “Missionário da Misericórdia”. “A misericórdia de Deus é maior do que qualquer ferida, do que qualquer conflito e do que qualquer ideologia; e com este olhar de misericórdia, pude abraçar todo o povo cubano, dentro e fora da pátria.”

Com os cubanos, disse ainda Francisco, pude compartilhar a esperança do cumprimento da profecia de São João Paulo II: “Que Cuba se abra ao mundo e o mundo se abra a Cuba”. “Não mais fechamentos, não mais exploração da pobreza, mas liberdade na dignidade”, pede o Santo Padre. Este é o caminho a seguir, acrescenta, buscando força nas raízes cristãs daquele povo que tanto sofreu. Símbolo desta unidade profunda da alma cubana é a Virgem da Caridade do Cobre, Padroeira da Nação.
 

A passagem de Cuba aos Estados Unidos foi emblemática, diz o Papa, pela ponte que está sendo reconstruída. “Deus sempre quer construir pontes; somos nós que construímos muros. E os muros caem, sempre.”
 

Estados Unidos
 

O Santo Padre cita a canonização do Fr. Junípero Serra, em Washington. Em Nova Iorque, destaca a visita à sede central da Organização das Nações Unidas e seu apelo por mais esforços para a proteção do meio ambiente e contra as violências sofridas em conflitos pela sociedade civil e pelas minorias étnicas e religiosas.
Francisco cita ainda a oração inter-religiosa pela paz no Memorial Ground Zero e a Missa no Madison Square Garden.

Famílias
 

O ápice da viagem, diz o Santo Padre, foi o Encontro Mundial das Famílias na Filadélfia, onde teve a oportunidade de reiterar que a família, fundada na aliança entre o homem e a mulher, é a resposta ao grande desafio do nosso mundo. Desafio que Francisco apontou em dois fenômenos: a fragmentação e a massificação – dois extremos que convivem e promovem o modelo econômico consumista. “A família é a resposta porque é a célula de uma sociedade que equilibra a dimensão pessoal e aquela comunitária e que, ao mesmo tempo, pode ser o modelo de uma gestão sustentável dos bens e dos recursos da criação. A família é o sujeito protagonista de uma ecologia integral.”

Para Francisco, foi providencial que o Encontro tenha se realizado nos Estados Unidos, o país que no século passado alcançou o máximo do desenvolvimento econômico e tecnológico, sem renegar as suas raízes religiosas.

“Agora, essas mesmas raízes pedem para que a família oriente a transformação do modelo de desenvolvimento, pelo bem de toda a família humana.”


Fiéis brasileiros

Ao saudar os inúmeros grupos na Praça São. Pedro, o Papa agradeceu a presença dos fiéis brasileiros vindos de São Paulo, Rio de Janeiro, Itu e Campo Grande.