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[Artigo]Conhecer Jesus é se deixar marcar, espiritualmente, pela sua presença-Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de BH


Chamados a viver uma experiência transformadora, precisamos estar atentos e sempre presentes nos lugares onde acreditamos ser possível ouvir falar de Jesus, e ainda mais, lugar onde nos possibilita alcançar o sentido das palavras de Jesus.

A oferta de Jesus e sua promessa de vida devem despertar-nos, assim como despertou à Samaritana e a todos os seus através do seu testemunho e do anúncio de Jesus. Todos passaram por uma experiência pessoal, que é à base da fé e que gera um processo de contínuo de crescimento.

O primeiro anúncio abriu novos caminhos para uma adesão que gerou vida nova aos discípulos. Assim, também, o querígma, primeiro anúncio da Iniciação Cristã possa promover crescimento progressivo na pessoa de nossos catequizandos; que os ensinamentos catequéticos causem efeitos similares a aqueles que causaram aos primeiros discípulos, ou seja, ajude-os a fazer experiência pessoal e individual, desdobrando-se em vivência de comunidade de fé.

Jesus formou discípulos e discípulas, instruindo-os com sua original atitude de acolhida, de compreensão e de valorização das pessoas. Esse critério continua o mesmo para nós, hoje, mas tendo como base, a vida do próprio Jesus, sua pessoa, sua pedagogia, sua mensagem deixada para nós. E tudo isso, à luz do Espírito Santo que se faz presente no testemunho de vida das pessoas que já fazem parte da comunidade cristã.

Nos últimos tempos a Igreja muito tem trabalhado para que o processo de Iniciação à vida Cristã aconteça . Ela tem apresentado muitos documentos que contribui para a renovação desse processo de evangelização. Tem discutido diversos temas como: a evangelização, a catequese, a família, a Palavra de Deus, a Eucaristia, a vocação e missão dos leigos e leigas, Todos esses estudos tem tido como objetivo promover de fato o encontro pessoal com Jesus Cristo. Muitos têm se empenhado nesse processo formativo para que novas experiências evangelizadoras, catequéticas, litúrgicas, bíblicas, missionárias se atualizem na vida pessoal e eclesial das pessoas. Daí a importância de procurarmos o aprofundamento da fé, indo além do que já oferecemos que é uma preparação para a recepção dos sacramentos. Nossa vivência de fé nos exige muito mais. Exige que sejamos uma Igreja em saída e que possamos promover a possibilidade de que aqueles que se aproximam de nós, façam a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo.

Mas para que tudo isso? O Evangelho mudou? A catequese mudou?
Não! O Evangelho de Jesus Cristo não mudou, a catequese não mudou. O que muda é um novo jeito de fazer a catequese; um novo jeito de anunciar Jesus Cristo. Isso porque foram as pessoas e os nossos catequizandos que mudaram. Mudaram os valores, os modelos, as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e das mulheres de hoje. Encontramos em um novo processo de transformação missionária de nossa Igreja. Estamos em meio a uma nova e complexa realidade de Igreja que nos convida a ir para as periferias, ao encontro dos mais necessitados, dos marginalizados pela sociedade. Realizar uma saída missionária para as periferias geográficas e existenciais.

Impulsionados pelo Espírito Santo e se deixando iluminar por Ele, somos chamados a trilhar novos caminhos que nos levem a viver experiências mistagógicas, ou seja, experiências que nos permitam ser conduzidos para dentro do Mistério da nossa fé, a partir da execução de um itinerário mistagógico construído para nos introduzir no Mistério Pascal de Cristo. Também pode nos levar para a comunidade eclesial, para professar , celebrar, viver e testemunhar a fé em Jesus Cristo, no Espírito Santo. Esse processo mistagógico pode, ainda, nos levar a uma renovação da Igreja, fazendo dela uma “Casa de Iniciação à vida Cristã” por estendê-la até às periferias existências que possibilita a inclusão de todos.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.