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Comunidade e Igreja: parceria pela inclusão social


Grupo Maria Felicidade com a coordenadora do serviço social da Paróquia, Cenária Freitas (blusa vermelha)

A Paróquia São Francisco Xavier é referência para as comunidades dos bairros Tupi, Floramar, Jardim Guanabara, Jardim Felicidade, Lajedo e Solimões, situados na Região Norte de Belo Horizonte. A igreja matriz está localizada no bairro Jardim Felicidade, considerado o mais carente da região, com 150 mil habitantes. 

 

A organização pastoral busca responder as propostas do Concílio Vaticano II, retomando a educação das comunidades na herança cristã. As dez comunidades de fé da Paróquia se interrelacionam, segundo o modelo de redes de comunidade. São elas: Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Fátima, Imaculada Conceição, São Francisco Xavier, São Judas Tadeu, Santo Inácio de Loyola, São Pedro, Senhor dos Passos, Cristo Redentor e Sagrado Coração de Jesus.


Grupo de Unibiótica realiza sessões de ginástica  terapêutica na Casa Recriar

 

As ações sociais, segundo a agente de pastoral Fátima Aparecida Moraes, se organizam a partir das Casas Recriar e Madre São José. Elas são efetivadas por meio de iniciativas próprias da Paróquia e de parcerias com o poder público e organizações da sociedade, cedendo espaço para atividades. Um exemplo disso são as sessões de Unibiótica (ginástica terapêutica) realizadas por profissionais do centro de saúde local nas dependências da Paróquia. 

 

Outra parceria foi firmada com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para oferecer à terceira idade  oficinas, aulas de dança e de ginástica. Participam das atividades em torno de 80 idosos. Na igreja Nossa Senhora de Fátima, funciona o curso  Educação de Jovens Adultos (EJA) em parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC). A Paróquia mantém, ainda, um telecentro, com dez computadores, doados pelo Ministério, onde oferece aulas de informatica (foto abaixo).

 

O grupo de jovens “Coletivo da Juventude Olga Benaro”, de perfil ecumênico e social, utiliza o espaço da Casa Recriar para suas reuniões e atividades, como por exemplo o “Cinema com pipoca”. A partir da exibição de filmes, os  jovens fazem reflexões com temática social e humana. A organização, de acordo com a coordenadora social da Paróquia São Francisco Xavier, Cenária de Freitas, tem ações voltadas para a transformação social e se organiza em frentes de trabalho. A mais recente é o desenvolvimento do projeto do Jornal da Juventude.
 

Outros importantes trabalhos realizados pela Paróquia têm beneficiado a população por meio do Grupo de Teatro Fragmentos – Infantil, destinado a pré-adolescentes; do Maria Felicidade, grupo de artesanato que reúne mulheres da Comunidade São Francisco Xavier, e da Clínica de Psicologia que, mensalmente, atende a 100 pessoas.

 

Uma equipe de 17 psicólogos da própria região, incluindo a coordenadora, encontrou na clínica uma forma de colaborar com a comunidade, cobrando preços  populares.  Embora os atendimentos tenham apresentado bons resultados, especialmente com crianças e adolescentes, Cenária de Freitas diz que o desafio agora é constituir uma clínica social e comunitária. A ideia, conforme explica a coordenadora,  é envolver toda a comunidade, a partir dos grupos e instituições existentes na região,  num projeto de promoção humana e social do bairro.

 

O Jardim Felicidade, segundo ela, ainda apresenta índices preocupantes de violência, com mortes de jovens em razão do envolvimento com o tráfico de drogas. “Quando trabalhamos com um indivíduo na sua singularidade, atuamos a partir do que ele traz, mas quando se tem o contato com o grupo aparecem questões importantes. É um processo semelhante ao que ocorre quando a família participa da terapia da criança ou do adolescente. O trabalho torna-se mais eficaz”.

 

As artesãs produzem desde aventais a toalhas …. … as peças são para todos os ambientes da casa

O grupo Maria Felicidade oferece oportunidade de trabalho e geração de renda a senhoras da comunidade. Elas se reúnem diariamente para produzir  peças como toalhas, almofadas, passadeiras, e bolsas, utilizando a técnica do packtwork. Além disso, segundo Cenária de Freitas, elas estabelecerem laços de solidariedade, fortalecem-se individual e coletivamente e buscam juntas a solução de conflitos.

O grupo é uma das unidades produtivas implementadas em 2009 pelo Núcleo de Prevenção à Criminalidade (NCP) do bairro, por meio dos programas Fica Vivo! e Mediação de Conflitos, em parceria com a Associação Preparatória de Cidadãos do Amanhã (Aprecia).

O Maria Felicidade funciona nos moldes dos empreendimentos da Economia Solidária.  Os produtos são comercializados nas Feiras de Artesanato da Avenida Afonso Pena e da Avenida Bernardo Monteiro. Também podem ser adquiridos pela internet (grupomariafelicidade.blogspost.com.br). Hoje, autossustentável, chega a faturar R$5 mil reais por mês. De acordo com a coordenadora da Paróquia São Francisco Xavier, a retirada individual ainda é pequena, mas todas sonham com dias melhores para osnegócios e suas famílias.


Crianças na esquete “Mosquitim”, sobre  a dengue

 

Uma parceria entre o Grupo de Teatro Fragmentos e a Casa Rrecriar, da Paróquia São Francisco das Xavier,  resultou na criação do Grupo Fragmentos-Infantil. As atrizes  Thaís Gonçalves e Franciele Goulart, e o coordenador Cleiton Henrique  trabalham com pré-adolescentes com idades entre 8 e 11 anos. Além de revelar talentos,  as iniciativas proporcionam às crianças variadas experimentações artísticas, que contribuem para a formação do caráter, da personalidade e para a construção de relações sociais positivas.

 

A esquete “Mosquitim” é um dos trabalhos recentes do grupo, sobre a dengue e o comportamento das pessoas diante da doença. As crianças participam da criação do personagem, o que inclui experimentar figurinos e maquiagem. O importante, segundo Cenária, é que o trabalho é estendido às famílias das crianças o que permite o acompanhamento de todo o núcleo familiar.

A proposta foi elaborada pelo coordenador Cleiton Henriques, com a participação de jovens atores e atrizes do Grupo Fragmentos, na perspectiva de expandir a proposta artística a outras idades. Atualmente são  as monitoras Thaís Gonçalves e Francielle Goulart as responsáveis pelo acompanhamento do Grupo Infantil.