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Como Deus atua pela ação humana

 A Pastoral da Sobriedade da Arquidiocese de Belo Horizonte busca vencer novos desafios. O objetivo é tornar mais eficaz o trabalho de prevenção ao uso indevido de drogas, que já apresenta resultados muito significativos. Só neste ano, foram realizados cinco mil atendimentos nas reuniões semanais dos grupos de mútua ajuda. Houve ainda mil participações nas atividades da Pastoral registradas em listas de presenças, além de  encontros nas paróquias e que, geralmente, não são contabilizados.

 

Entre os vários desafios da Pastoral da Sobriedade está o de capacitar os agentes para compreenderem, na prática, como Deus atua pela ação humana. Nem sempre os momentos de contato com os dependentes químicos ocorrem conforme as expectativas dos organizadores dos eventos e é preciso que estejam preparados para atuar em diferentes momentos.  Outra proposta desafiante é trabalhar conforme a realidade de cada local e possibilitar a construção coletiva de grupos comunitários de prevenção às drogas.  Com essa finalidade, são realizadas as oficinas de atividades do Projeto Prevenir, que forma agentes multiplicadores de prevenção nas foranias e paróquias.
 

Neste ano foram cinco mil atendimentos e mil participações nas atividades da Pastoral registradas em listas de presenças

A primeira oficina foi realizada na Paróquia Santa Maria Rainha dos Apóstolos, na Região Nossa Senhora Aparecida. O evento transcorreu de forma tranquila, dentro do planejado. Mas, o mesmo não se repetiu na segunda oficina,  semana passada, na Paróquia Jesus Operário. Contratempo que a coordenadora do Projeto Prevenir, no âmbito arquidiocesano,  Irmã marista Ivelina Martins Tavares, considerou uma “graça de Deus”.
 
 

“Estava previsto uma oficina com adolescentes para formar equipes de prevenção. Contudo, a mobilizadora da Paróquia Jesus Operário decidiu convidar não só adolescentes que já estavam participando de atividades eclesiais, mas aqueles que ela considerou que mais precisavam: adolescentes que vivem situações vulneráveis para o uso de drogas, em comunidades com influência direta do tráfico. O oficineiro Geraldo tentou manter o mesmo ritmo da oficina anterior, mas não conseguiu. Os adolescentes tinham dificuldade de prestar atenção, de escutar o outro”,  conta a religiosa, explicando porque foi tão favorável o que poderia parecer um problema: “Aquele era um dos objetivos da oficina: trabalhar a comunicação que se dá pelo corpo todo e não somente com palavras”.

Depois de algumas dinâmicas com vistas à interação dos adolescentes, houve um momento de conversa com eles sobre a prevenção. “Claro que eles sempre relacionam prevenção com uso de drogas. Todos queriam muito falar e se expressar, mesmo que não escutando o outro. E quando lhes foi perguntado sobre prevenção às drogas, eles logo associaram a drogas ilícitas. Aí, os alertamos também para outros tipos de dependências como às redes sociais. Naquele momento, uns começaram a apontar para o outro. Sim, mesmo vivendo em comunidades pobres eles tem acesso a redes sociais e ficam horas, até passam a noite frente a um computador”, observa irmã Ivelina.
 

“Os adolescentes que tumultuavam os trabalhos eram os que Deus queria que  se encontrassem com a equipe do Projeto, pois precisam da presença que faz crer numa vida nova”

A coordenadora do Projeto Prevenir  diz ter ficado com o coração cheio de alegria, por entender que os adolescentes que  pareciam  tumultuar os trabalhos eram os que Deus queria que  se encontrassem com a equipe do Projeto para a realização do trabalho de formação de agentes. “Aqueles meninos são os que mais precisam dessa presença que faz crer numa vida nova”, constata.

Irmã Ivelina conta que sua observação foi confirmada quando a coordenadora da Pastoral na Paróquia disse-lhe que um dos adolescentes naquela semana havia preparado suas coisas para sair de casa. “Além de ter desistido da ideia, o menino ainda estava ali, com a gente, na Paróquia. Cinco dos convidados eram de uma mesma família, tornando possível percebermos as dificuldades de  expressarem-se normalmente”.

Até mesmo o oficineiro, segundo a religiosa, está em processo de reinserção social, depois de fazer tratamento numa comunidade terapêutica católica no interior do Estado. “Ele tem consciência de que precisa ficar longe do álcool, pois sente a vulnerabilidade de sua situação. Com isso, também compreende muito melhor aqueles que vivem situações semelhantes”.

SERVIÇO:

As paróquias e pastorais que desejarem realizar oficinas coordenadas pelo Projeto Prevenir podem entrar em contato com a coordenação, para que  o evento seja agendado  em sintonia com a equipe da região episcopal.  O telefone é o  (31) 3421-1447.