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Chamados a ser presença na vida do outro

Quando falamos em família, temos como modelo um protótipo de famílias que no passado moravam na mesma casa, usufruíam das mesmas terras, alimentos, angustias, solidão, ternura e amor. Ao viajarmos no tempo podemos ter saudades deste tipo de família que hoje só acontece em nossa memória, ou num lugar bem remoto de nosso País.

O mundo evoluiu e isto é fato. Querer não evoluir no que diz respeito à dinâmica do mundo é ficarmos estagnados num tempo e não caminharmos. É bom que definamos bem a palavra caminhar, pois, assim, iremos entender como caminhamos no quesito de formar uma grande família que evolui, mas que não perde a verdadeira essência de ser no mundo.

A Palavra caminho, diz o dicionário, significa também: meio de alcançar um resultado, norma de proceder. Se assim não for, estaremos fadados a não acertar o caminho. Estaremos desconcertados e não encontraremos o caminho a que somos chamados a fazer dentro de tudo que vivemos.
 

É preciso ter a clareza de que fomos criados para estarmos juntos, é urgente resgartamos o sentido de que o distintivo da comunidade cristã é a glória de Deus.

Então, assombra ver um mundo em que cada dia deixa de formar uma família, pois em nome da lei do mais forte, da competição, e do lugar ao sol, vamos esquecendo de que é preciso respeitar o que chamamos família, para que o respeito não morra, e a bondade seja o fruto a ser produzido.

Corremos o grande risco de ficarmos chocados com algo que acontece na família ao lado, da catástrofe que ocorre do outro lado do mundo, de alguém que não tem lugar para morar com sua família. Mas poucos entre nós somos família onde estamos. Muitas vezes dentro de nossas próprias casas somos tão pouco familiares.

Querer um modelo de família que viveu no passado é querer muito em um mundo cada vez mais competitivo, mas não podemos esquecer que somos chamados também a sermos presença na vida do outro, e isto tem deixado de acontecer dentro de nossas famílias. É preciso ter a clareza de que fomos criados para estarmos juntos, é urgente resgatarmos o sentido de que o distintivo da comunidade cristã é a glória de Deus. E é nesta glória que somos chamados a formarmos, em Cristo, a família universal que devemos ser.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pe. Joacir Alves Antunes
Reitor do Santuário São Judas Tadeu de
Arquidiocese de BH