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Celebração da Páscoa na Comunidade do Córrego do Feijão, em Brumadinho

Centenas de fiéis, incluindo os bombeiros e voluntários que continuam trabalhando no resgate e ajuda às vítimas do rompimento barragem em Brumadinho, se reuniram para celebrar o Domingo de Páscoa, em Missa presidida por dom Walmor e concelebrada por dom Vicente, na Igreja Nossa Senhora das Dores, na Comunidade Córrego do Feijão, em Brumadinho.

A Igreja, que recebeu a primeira Missa após a tragédia, também teve seu altar restaurado abençoado por dom Walmor. O Arcebispo destacou em sua mensagem dedicada às vítimas da tragédia sobre a esperança que o tempo da Páscoa traz a todos: “Pelo horizonte da fé é possível reconstruir a chama da esperança”.

Dom Walmor lembrou que o Domingo de Páscoa mostra que nenhum sofrimento é para sempre, pois em Jesus, a vida venceu a morte. “Esse é o grande sentido: mesmo em meio à dor e ao sofrimento, sempre existe um novo tempo para todos”.

Morador de um sítio no Córrego do Feijão, Wilson Oliveira, de 71 anos, veio à celebração com a camisa da sobrinha Camila Aparecida da Fonseca Silva, uma das vítimas da barragem. Ela trabalhava na Pousada Nova Estância. “Essa missa é muito importante para amenizar nossa dor. Temos que nos apegar em Deus para conseguir recomeçar”, diz ele. Segundo Wilson, a tristeza causada pela tragédia foi enorme e não ficou restrita apenas ao Córrego do Feijão. “Prejudicou muita gente e por isso ainda demora até conseguir retomar a vida”, completa.

A celebração atraiu moradores não só do Córrego do Feijão, mas de diversos povoados vizinhos que vieram prestar solidariedade ao povo do Feijão e exercitar a fé. “Viemos para apoiar nossos irmãos do Feijão. Sabemos que a única forma de superar o que aconteceu é se apegar em Deus. Se não formos fortes na fé, não temos saída”, diz a dona de casa Sebastiana Rosária da Cruz, 52 anos, moradora do povoado de Aranha, também pertencente a Brumadinho.

O casal de voluntários Rafaela Rosa, 35, que é professora, e Eduardo Rosa, 36, publicitário, moradores de São Paulo, vieram a Brumadinho e fizeram questão de participar da celebração no Córrego do Feijão distribuindo chocolates aos presentes na missa. “É uma ação para adoçar a vida das pessoas que passaram por essa tragédia na igreja que que foi a base dos bombeiros para a operação”, diz Rafaela. Ontem, o casal esteve no Clube Aurora e na atual base militar dos bombeiros onde são coordenadas as operações de busca pelas vítimas. “Entregamos 140 bombons e ovos de chocolate também para os bombeiros”, acrescenta Eduardo.

Ainda em sua homilia, dom Walmor destacou que a ressurreição “nos traz luz para aprender a guiar nossa vida na perspectiva do bem e comprometidos com o outro, nosso próximo, nosso irmão: Jesus passou pelo mundo fazendo o bem” – explicou o Arcebispo – “a vida só vale se nos convencermos de que é bom ser bom, trazendo vida e esperança para nossas comunidades, nossas famílias.

Dom Vicente, bispo auxiliar referencial para a Renser, nova região episcopal da Arquidiocese de Belo Horizonte, que abrange toda região de Brumadinho e Vale do Paraopeba, também reforçou a importância da esperança: “nada e nem ninguém pode barrar a vida que vem de Jesus. Não se pode esquecer a tragédia, mas precisamos acreditar na esperança e na vida nova que vem do Senhor”.

No final da celebração, dom Vicente cantou, junto com a comunidade, a canção que compôs em homenagem às vítimas do rompimento da barragem.

Após a Missa, representantes do Corpo de Bombeiros homenagearam a Arquidiocese de Belo Horizonte, em bonita e especial cerimônia de agradecimento, pelos serviços, conjunto de ações e iniciativas de ajuda e apoio, desde o primeiro momento, dedicados ao povo de Brumadinho.

Confira a reportagem do Jornal Estado de Minas.