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[Artigo] Catequizar é comunicar- Neuza Silveira de Souza, Secretariado Arquidiocesano bíblico-catequético de Belo Horizonte

Catequizar é fazer ecoar a Palavra de Deus a todos que desejarem ouvir. Assim, “O catequista é, de certo modo, o intérprete da Igreja junto aos catequizandos e à comunidade. Ele lê e ensina a ler os sinais da fé, dentre os quais o principal é a própria Igreja” (DCG 35).

O Catequista desenvolve um verdadeiro ministério, um serviço à comunidade cristã, sustentado por um especial carisma de Espírito de Deus. Ao anunciar a Palavra de Deus ele ajuda a comunidade a interpretar criticamente, os acontecimentos da vida, proporcionando a reflexão sobre a fé. Na Palavra encontramos o verdadeiro amor de Deus direcionado a cada pessoa. Um amor que para nós, não basta apenas saber sobre ele, mas experimentá-lo. Crer e experimentar o amor de Deus de Deus por nós. Um amor incondicional porque Deus é amor. Ele não exige que façamos, antes, algo para merecer sua atenção. Ele nos ama primeiro, nos escolhe para dar frutos. Nossa resposta a esse amor é testemunhá-lo ao mundo.

Segundo o Papa Francisco, “ser catequista é uma vocação porque se trata de um compromisso de vida, que se guia para o encontro com Cristo, por meio das Palavras e da vida, através do testemunho”. Ainda de acordo como Papa, ele próprio pensa no catequista como aquele que se pôs a serviço da Palavra de Deus. Alguém que frequenta diariamente essa Palavra para fazer com que se torne alimento e, assim, poder comunicá-la aos demais com eficácia e credibilidade. O catequista sabe que a Palavra é “viva” (Hb 4,12), pois constitui a regra de fé da Igreja (cf. Conc. Vat. II, Dei Verbum, 21; Lumen gentium, 15). Por isso mesmo, o Papa Francisco pede aos catequistas que não se esqueçam, sobretudo, hoje, num contexto de indiferença religiosa, que a sua palavra é sempre um primeiro anúncio a tocar o coração e a mente de muitas pessoas que estão à espera de encontrar Cristo.

O catequista não é um mestre nem um professor que pensa estar a administrar uma lição. A catequese não é apenas uma lição; é a comunicação de uma experiência e o testemunho de fé que eleva os corações, porque introduz o desejo de encontrar Cristo. Esse anúncio, de várias maneiras e com diferentes linguagens é sempre o “primeiro” que o catequista é chamado a realizar. Comunicar é o grande desafio do catequista.

Portanto, uma boa forma de comunicação do catequista junto à comunidade é feita pelo testemunho, pois uma boa comunicação supõe uma experiência de vida na fé e de fé capaz de chegar ao coração daquele a quem se catequiza. Assim, o compromisso de evangelizar em nome da Igreja, na função de intérpretes da Igreja, deve ser como o de Cristo: um compromisso com os mais necessitados (Lc 4,16-21). O Filho de Deus demonstrou a grandeza deste compromisso ao se fazer homem, pois se identificou com os homens, tornando-se um deles e solidário com eles.

Jesus, ao iniciar a sua comunicação/missão, segundo o Evangelista Lucas, lança seu projeto de vida quando lê nas Escrituras a passagem de Is. 61,1-2: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor”. Ao terminar de ler estas palavras disse aos que ali estavam em uma escuta atenta: “Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura”. Com estas palavras, Jesus assume em sua vida as Escrituras.

Assim também, nós catequistas, ao levarmos o anuncio da Palavra aos nossos catequizandos, devemos assumi-la como projeto de vida, para se fazer cumprir, antes de tudo, as exigências da justiça. Exigências essas que se caracterizam pela preferência aos pobres. E aos catequizandos, devemos ajudá-los a assumir as atitudes de Cristo e a se sentirem Igreja, experimentando-a como lugar de comunhão e participação, contribuindo para sua edificação.

Para que o catequista assim possa exercer suas tarefas do anúncio evangélico, torna-se importante participar das Escolas Catequéticas que são oferecidas a todos, em vários níveis, oferecendo uma formação que além de desenvolver a capacitação didática e técnica do catequista, contribui para a vivência pessoal e comunitária da fé e seu compromisso com a transformação do mundo. É a prática da interação fé e vida.

Essas são algumas das orientações do Documento “Catequese Renovada: Orientações e Conteúdos” em relação à pessoa do catequista como “comunicador” que faz “Ecoar” a Palavra de Deus. Tal interação só é observável na prática, nas diversas realidades dos catequizandos, pois se refere à grande “Arte” do catequista diante das ações concretas da vida.

Continuaremos nossos encontros procurando desenvolver os temas de catequese que estão apresentados na terceira parte do Documento CR, sabendo desde já que seu conteúdo é pensado enquanto processo. Trata-se de uma caminhada de fé da comunidade cristã, tendo em vista a realidade concreta de cada interlocutor, de cada comunidade.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do secretariado Arquidiocesano bíblico-catequético de Belo Horizonte