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Catequese com inspiração catecumenal (4)

A nossa catequese atual, sem conhecer o catecumenato estrito, básico na experiência pastoral da Igreja primitiva, hoje restaurado por decisão conciliar, não é capaz de compreender totalmente a catequese de adultos, de inspiração catecumenal. Portanto, torna-se importante estudar a iniciação, a história do catecumenato antigo e o processo de sua restauração. Um conhecimento a ser adquirido tendo em vista o Ritual da iniciação cristã de adultos, as experiências catecumenais em diversos lugares e a teologia, que exige a compreensão da iniciação dentro de uma visão global da teologia pastoral pós-conciliar.

A iniciação é entendida como processo socializador, no sentido de introduzir gradualmente a pessoa num grupo social, numa doutrina ou numa profissão. Nesse sentido, a iniciação cristã será um processo gradual de fé realizado pelo convertido. Nesse percurso, é fundamental a ajuda de uma comunidade de fiéis, que passará a integrar, primeiramente, por meio dos sacramentos de iniciação: Batismo, Crisma e Eucaristia, seguida da educação gradual na fé cristã, compreendida, celebrada e testemunhada. Esse processo educativo deve ser entendido a partir do Evangelho e do seguimento de Jesus.

Desde os primórdios, o mistério cristão se baseia em Jesus Cristo, revelado nas Escrituras, enraizado na história, como inegável tradição profética. Ser cristão é penetrar no mistério evangélico de Jesus Cristo. Assim somos chamados a uma nova evangelização, ou à reevangelização – que se destina aos batizados, quer afastados, quer praticantes ou indiferentes- para que se personalize a fé recebida inconscientemente com o sacramento.

Segundo conclusões da Segunda Conferencia Geral do Episcopado Latino-Americano, celebrada em Medellín (1968) e, ainda hoje, afirma o Papa Francisco, a Igreja até agora tem atuado, principalmente, por meio de uma pastoral de conservação, fundamentada na sacramentalização com pouca ênfase numa prévia evangelização. Diz o documento: “As atuais circunstâncias exigem uma revisão dessa pastoral, a fim de que se adapte à diversidade e pluralidade culturais do povo latino-americano, constituído por uma grande massa de batizados”.

Na terceira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano de Puebla (1979) se afirma que as novas situações nascidas de mudanças socioculturais “exigem uma nova evangelização”, equivalente à “reevangelização” da cultura.  Também o Sínodo extraordinário realizado em Roma, no mês de dezembro de 1985, afirmou em sua mensagem ao povo de Deus que “a evangelização não pertence só à missão no sentido ordinário, isto é: aos gentios”. A evangelização dos não crentes pressupõe a autoevangelização dos batizados e também dos próprios diáconos, presbíteros e bispos.

Se olhamos um pouco para trás e nos colocarmos na escuta, perceberemos o clamor da nossa Igreja pela realização de um  processo de evangelização que desencadeie um caminho de formação e de amadurecimento da fé, bem como o crescimento, o que implica tomar muito a sério em cada pessoa o projeto que  Deus tem para ela. Esse é um um apelo para o crescimento não apenas doutrinal, mas que possibilite o cumprimento daquilo que o Senhor nos indicou como resposta ao seu amor. Sobressai, assim, junto com todas as virtudes, o mandamento novo que é o primeiro, o maior, o que melhor nos identifica como discípulos: “É este o meu  mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.” (Jo 15,12).

Do mesmo modo nos diz São Paulo: é no amor que está o pleno cumprimento da lei (Rm 13,8.10),  – acrescentando – “Toda a lei se cumpre plenamente nesta única  palavra: Ama o teu próximo como a ti mesmo.” (Gl 5,14). Assim, a vida cristã é  apresentada às comunidades como um caminho do amor.

Quem são essas comunidades hoje? Os nossos destinatários do processo de evangelização, ou seja, os nossos interlocutores. Isso porque, as nossas formações têm que sre constituídas de diálogos, interação, partilhas, etc. Não mais falamos para um público que se coloca apenas na escuta, mas que participa e interage a partir de suas experiências.

Nesse sentido, a catequese com inspiração catecumenal  se direciona não só para as crianças, mas também para os adultos. São eles: Crianças e adolescentes batizados, Crianças não batizadas e inscritas na catequese; Adultos e jovens não batizados; Adultos e jovens batizados que desejam complementar a iniciação cristã; Adultos e jovens com  prática religiosa, mas insuficientemente evangelizados; Pessoas de várias idades marcadas por um contexto desumano ou problemático; Casais em situação matrimonial irregular.

Existem os grupos específicos, em situações variadas: pessoas com deficiência, os povos indígenas, os ciganos, os intelectuais, as famílias formadas por casais de casamento misto, as pessoas que vêm de outras Igrejas ou religiões, as pessoas que não tem tempo por causa da correria da vida. Todos merecem ser acolhidos na iniciação cristã.

Para evangelizar todos em suas realidades plurais e culturais, nas diversas faixas etárias e níveis, atendendo às exigências da identidade cristã é necessário  utilizar várias formas e metodologias que exigem a formação dos evangelizadores/catequizadores.
 
A Igreja deseja formar cristãos autênticos: aqueles que crêem  em Jesus Cristo, que se comprometem pelo Reino de Deus, que celebram a liturgia cristã, aqueles que se deixam conduzir pelo mistério de Cristo.
 

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana
Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.