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Catadores de material reciclável conquistam renda e cidadania

 

Promoção humana e preservação do meio ambiente são valores que distinguem o trabalho e a convivência na Coopercata, Cooperativa Rede Solidária de Contagem. Uma obra criada, no ano de 2006, a partir da determinação dos catadores material reciclável e do olhar fraterno do padre Júlio Amaral, na época pároco da Paróquia São Joaquim. Foi ele quem teve a ideia de reunir e organizar a atividade dos catadores da região. Antes, eles trabalhavam individualmente e vendiam o material para a indústria, o que limitava o poder de negociação e a produtividade.

Padre Júlio ofereceu o pátio da Igreja para os catadores que passaram a produzir em conjunto, reunindo e selecionando o material garimpado nas ruas, para vender à indústria de reciclagem. O projeto evoluiu e conquistou o apoio do poder público que, há um ano, destina recursos para o aluguel de um galpão coberto e a compra dos equipamentos de segurança. Já a Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio do Vicariato para a Ação Social e Política, é a responsável pela administração deste convênio.

 

Oito catadores sustentam suas famílias com a renda da cooperativa. Eles recebem, em média, R$ 1,2 mil por mês, depois de descontados de R$ 100,00 para depósito em caderneta de poupança e a contribuição ao INSS. Alguns eram moradores em situação de rua, outros viviam em barracos  bem simples nas favelas. Hoje, alguns construíram casa própria ou já conseguem pagar aluguel, em casas do bairro.

 

Além da geração de renda,  os cooperados contam com importantes conquistas como o respeito adquirido junto à comunidade  e a recuperação da autoestima

O dinheiro que eles recebem resulta da comercialização de 30 toneladas de material por mês, a 40 centavos o quilo. O salário é proporcional ao faturamento, o que motiva os cooperados a sempre buscarem o crescimento da produção. Para isso, eles passam nas casas da região explicando a importância da coleta seletiva para a preservação do meio ambiente e a sobrevivência da cooperativa.

 

A comunicação com o público é facilitada pela capacitação da equipe, em cursos sobre técnicas de produção e comercialização, realizados no Centro Mineiro de Referência em Resíduos, na capital mineira, e até em instituições de outros estados.  “A aceitação é grande. Os moradores têm boa vontade, entendem a importância do projeto e colaboram”, afirma Miriam Botinhas Hetti, uma das colaboradoras da Cooperativa.
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Hoje, na região, não há mais aquele catador de rua, que sai por aí empurrando um carrinho de mão.  Eles passam nas casas, com dia e hora agendados para  recolher as doações que são transportadas  para o galpão em um caminhão da prefeitura. O mesmo ocorre com as indústrias que destinam fios de cobre,  papelão, pets e embalagens longa vida para a cooperativa.

Equipar o galpão é o desafio dos catadores que só agora receberam, de uma indústria, a doação de uma prensa e uma empilhadeira manual.  Além de equipamentos mais eficientes, eles pretendem adquirir um caminhão, pois o veículo que faz a coleta atualmente às vezes estraga e o material não é recolhido.

Além da geração de renda, que resulta em melhoria nas condições de vida, os cooperados contam com importantes conquistas como o respeito da comunidade, que passou a reconhecer a importância do trabalho realizado por eles, e a recuperação da autoestima.