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Para seguir Jesus, Ele nos coloca uma condição: negar-se a si mesmo e carregar a cruz diariamente. Em Lucas 9,23 lemos: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me”. Em Lucas 14,27: “E quem não carrega sua cruz e me segue não pode ser meu discípulo”. Em Mateus 10,38: “Quem não toma sua cruz e  não me segue não é digno de mim”.

A cruz é, portanto, meus caros amigos, a condição indispensável para ser discípulo de Jesus. Quem não a carrega diariamente, não pode ter Jesus como mestre. Aderir à cruz é aderir à Palavra de Deus, à realidade pessoal do amor de Deus pela humanidade e à sua vontade para nós. Carregar a cruz é a cada dia renunciar a tudo que nos torna independentes da vontade do Pai e oferecer tudo que somos ou fazemos, em união com a cruz de Cristo. Jesus, carregando a cruz, revelou à humanidade o quanto é grande a “Misericórdia” do Pai por todos nós. Pela obra redentora, somos reunidos em um só povo eleito e chamados a sermos santos, pela graça de Deus.
 

Participamos do Corpo do Senhor como células vivas, membros desse Corpo. Nossa fidelidade a Deus está em responder ao conteúdo de nossa fé, que é Deus se revelando em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Cruz não é necessariamente sinônimo de dor e sofrimento. O que sacrificamos na cruz é o nosso querer, para fazer a vontade do Pai. A suprema hora de Jesus é a sua Páscoa, quando em atitude radical de fidelidade à vontade do Pai, abraça seus irmãos e os ama até o fim. Nós estamos inseridos nesta obra por amor de Jesus e a cada momento em que respondemos com nossa vida à vontade do Pai, estamos transformando a dor em amor, isto é, assumindo a cruz e convertendo-a em fonte de vida pascal. Nossas intenções e motivações devem ser como as de Jesus: movidos pelo Espírito Santo, oferecendo ao Pai, pelas mãos de Maria, nosso ser e nossa vida inteira, em união com a oblação sacerdotal de Jesus para salvação do mundo.

 

O primeiro sentido da nossa cruz diária é dar à dor e ao sofrimento valor de redenção para o mundo e de purificação para nós

O primeiro sentido da nossa cruz diária é transformar a dor e o sofrimento que existem no mundo e que se apresentam em nossa vida, sem rebeldia e abatimento. É dar-lhes valor de redenção para o mundo e de purificação para nós, unindo-nos a Jesus e oferecendo-os ao Pai.

Meus queridos irmãos e leitores, consideremos que é grande a alegria quando passamos por diversas provações, sabendo que a prova de nossa fé produz em nós a perseverança.
 

Nossas tendências naturais nos levam a não aceitar, a esquecer ou a recusar a cruz. Normalmente, queremos estar com o Senhor no Tabor, na Ressurreição ou no Pentecostes. Entretanto, não podemos esquecer que estar com Jesus é segui-lo na cruz, na Ressurreição e no Pentecostes. A cruz sem Ressurreição é fracasso e destruição. A Ressurreição sem cruz é uma ilusão. O Pentecostes é possível sem o Cordeiro imolado, glorificado e à direita do Pai? “Se o grão de trigo caído na terra não morrer fica só; se morrer produz muitos frutos” Jo12,24. “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra” (Jo 4,34). “Importa que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).

 

A cruz só tem sentido como existência de amor que se esquece de si mesmo pela pessoa amada. É amar sem esperar nada em troca

Para que possamos produzir frutos para Deus, é necessário que morramos para nós mesmos, para nossos interesses egoístas. “Aquele que perder a sua vida por minha causa, a encontrará” (Mateus 10,39). Nós não podemos por nós mesmos aceitar e viver a cruz, é loucura e escândalo; somente o Espírito Santo pode nos fazer compreender, aceitar e querer viver a cruz, unindo-a com a de Jesus. A cruz e a morte como sofrimento não salvam ninguém e não se pode querer buscá-las, pois essa não é vontade do Pai. O Pai não quer a morte e o sofrimento por si só, mas como fidelidade de testemunhas do seu amor para com os irmãos.

 

A cruz só tem sentido como existência de amor que se esquece de si mesmo pela pessoa amada. É entregar-se por esse amor, é amar sem esperar nada em troca, só aí a cruz tem sentido. Em II Cor. 4,8-9 lemos: “Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desfalecemos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não somos destruídos. Tudo entregamos àquele que é o nosso Senhor”.

 

Nancy Aberrachid
Consagrada da Comunidade Aliança