Você está em:

Bíblia ““ por excelência, o livro da vida do povo de Deus

Convido você a conversar um pouco mais sobre a Bíblia.  Dissemos no artigo anterior que, depois de concluída, a Bíblia nos foi apresentada em duas grandes partes: A primeira, chamada de Primeiro Testamento, contendo 46 livros que narram a vida, a fé e a história do povo de Deus. Nessas histórias encontramos a nossa história da salvação.

A segunda parte, chamada “Segundo testamento” ou “Novo Testamento”contém 27 livros, nos quais encontramos a narrativa da vida de Jesus e das primeiras comunidades cristãs. Essas comunidades deixaram para nós registros de suas experiências de vida; tudo aquilo que elas guardaram e refletiram sobre Jesus Cristo: sua pessoa, suas palavras, seus gestos e atitudes. Assim, esses escritos nos ajudam a fazer a nossa própria experiência de fé. Isso porque, cada escrito nasce numa determinada realidade social e histórica.

Então perguntamos – Como surgiu a Bíblia?
    
A Bíblia não caiu pronta do céu. Ela surgiu da terra, da vida do povo de Deus e resulta de um processo lento. Surgiu como fruto da inspiração divina e do esforço humano.  Assim podemos dizer que A Bíblia é “Palavra de Deus em Palavras humanas”. Ela é “sagrada porque é Palavra de Deus e é “escritura” porque é palavra humana”. Seu conteúdo é o fato vivido, a experiência que leva a uma reflexão. Textos escritos que são lidos de diversas formas, por diversas pessoas, cada uma a partir do seu lugar. Quem a lê, lê de um jeito próprio, para mover-se em seus caminhos e a partir das emoções que são bem suas. Por isso é preciso ler, reler, meditar, pesquisar, conversar, dialogar. Ler dando vida aos textos. O texto escrito, aos ser lido, precisa ser interpretado.

Quem a escreveu?

Os autores da Bíblia são  homens e mulheres como nós, que só queriam prestar serviços aos irmãos em nome de Deus. Podemos dizer que a Sagrada Escritura é a configuração do que foi a percepção da presença e da revelação de Deus para o povo.  Ela fala a cada povo, em seu tempo, em sua cultura, em sua língua.

A Bíblia não foi escrita no mesmo lugar, mas em muitos lugares e países diferentes, por onde o povo de Deus andou. Na Palestina, na Babilônia, no Egito, na Síria, na Grécia e na Itália. Ela traz consigo a influência dos vários costumes, a cultura, a religião, a situação econômica, social e política de todos estes povos. No caminhar da história eles foram deixando suas marcas e tiveram a sua influência na maneira de a Bíblia apresentar a mensagem de Deus aos homens.

Como devemos ler a Bíblia?
   
Para um mesmo texto podem surgir muitas interpretações, algumas legítimas, outras questionáveis, outras descartáveis. Tudo depende do modo ou do método com que lemos a Bíblia.

Seja qual for o modo de leitura, ela sempre nos reserva surpresas. Quando a lemos, sabemos que o Espírito de Deus nos atinge. Não importa onde nos encontramos. Não importa que se refira a textos antigos. Eles sempre fizeram, fazem e farão parte da vida do povo. Assim é o jeito com que ela foi escrita.
     

Quais as dificuldades mais frequentes dos catequistas em relação à Bíblia?

O catequista, como o fiel ouvinte da Palavra, é considerado ministro da Palavra. Aquele ou aquela que tem a missão de fazer ressoar a Palavra de Deus em todo lugar, que acompanha e introduz os catequizandos na escuta da Palavra. Nesse caminhar o catequista encontra algumas dificuldades:

•    Falta preparação
É muito comum entre os catequistas a falta de preparação, experiência e conhecimento das Escrituras. Ele não é um exegeta, ou seja, um especialista nas ciências Bíblicas. Porém, sabe que deve ser bom leitor e conhecedor das escrituras, além de procurar ser um excelente comunicador da fé. A Bíblia deve ser para o catequista algo como sua casa, sua família. Porém, como fazer para que o catequista cresça na familiaridade com a Bíblia? Como capacitá-lo?

•    Linguagem distinta
Como ouvinte e servidor da palavra, o catequista deve perceber o mistério de Deus revelado na história humana e transmiti-la numa linguagem que fale ao coração humano. Levar os catequizandos a descobrir a proposta da mensagem que a palavra traz para cada um. Percebe-se um distanciamento entre o modo de falar da Bíblia e a maneira como o catequista transmite aos seus catequizandos.

•    O que fazer para entender a linguagem da Bíblia?
A maneira de pensar dos catequistas, homens e mulheres de hoje é muito distinta da forma do pensar que encontramos na Bíblia. Como vimos, há muitas palavras, símbolos na Bíblia que correspondem a seu tempo, aos povos e culturas da época em que surgiu a Bíblia. Como entender a maneira de pensar que está por traz de um texto?  Falaremos sobre esse tema no próximo encontro.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana
Bíblico-Catequética de Belo Horizonte